economia, Geral

Afinal há Dinheiro!

ImageAfinal há dinheiro!!! Qual das três palavras não percebeu doutor Vítor Gaspar? Dinheiro para o BANIF, onde pontifica a luminária Luís Amado que, acabado de publicar um receituário para resolver a crise da Europa em geral e a de Portugal em particular em conversas de sofá com a vidente pró-europa connosco, a jornalista Teresa de Souza (essa gente lambe o ego uns dos outros, sempre à beira da vaidade atingir o orgasmo) vê a crise do BANIF escapar-se às mezinhas da sua farmacopeia técnico-ideológica. A falência espreita mas para essa gente há sempre o Estado providência dos mais ricos. É só estender a mão para pedinchar mais de mil milhões de euros. Dão-lhe alegremente o que pede com a curiosidade de essa injecção monetária, a ser paga por todos nós com a bênção da mesma troika que propõe atirar para o desemprego 20% dos funcionários públicos, cortar salários e pensões, caninamente obedecida pelo governo que nos desgoverna, corresponder a 60% do banco, a quase quinze vezes o seu valor em Bolsa, serem entregues de mão beijada já que o Estado não previne surpresas futuras, porque generosamente fica com menos de metade do capital, apenas 49% e sem nenhum representante no Conselho de Administração, nem mesmo que o nomeado fosse um outro Amado qualquer.

Um regabofe!

Todo o mundo e ninguém, os do costume, põe a boca no trombone para garantirem que o BANIF não é o BPN. Não será como o BPN não era o BPN antes de o ser como agora o sabemos. O que para já sabemos de ciência certa é que, mais uma vez, o Estado que corta a torto e a direito nas remunerações do trabalho, nas reformas, na educação, na saúde e por fora, escudado na falta de dinheiro e nas recomendações-imposições da troika, tem sempre dinheiro e mão rotas para o capital financeiro.

Negociatas destas só nas Repúblicas das Bananas, como a do carnavalesco Imperador da Madeira, amigo do peito do fundador do BANIF, o defunto Horácio Roque, que estendia a rede para ele fazer os seus números circenses que acabavam em loucuras financeiras. A família Roque sempre foi muito dada a amizades politicamente coloridas. A mulher desse banqueiro de primeira água, como rezaram os obituários, a economista Fátima Roque, foi amiga pessoal de Jonas Savimbi e membro permanente da Comissão Política da Unita. Agora, anda de candeias às avessas com as filhas, mordendo-se nas arenas mediáticas e jurídicas pela posse do BANIF, tornado mais apetecível à conta de nos meterem as mãos nos bolsos para o salvarem da falência com esta entrada de dinheiro fresco.

Tudo coisas que deviam fazer o Gaspar abrir a gaveta das cautelas e tomar uns caldos de galinha. Mas esse e seus pares, tratam com desvelo e milhões de euros banqueiros & companhia enquanto são uns mãos de fome para o povo trabalhador, ainda no activo, reformado ou desempregado. Só sabem fazer cortes na saúde, na educação, nos subsídios de desemprego, nas indemnizações por despedimento, etecera, porque temos que viver conforme as nossas possibilidades. Os outros podem gerir mal os bancos, as seguradoras, esbanjar dinheiro, tem sempre o Estado para os ajudar, com o que nos esportulam. Privatizam empresas lucrativas e “nacionalizam” prejuízos dos privados. Atitudes típicas dos liberalotes direitinhas do governo.

Apesar da gritaria vamos ver a surpresa que nos reserva o BANIF. Por aquelas bandas há sempre uma novidade que nos espreita mas já não surpreende. É tudo farinha do mesmo saco.

O que não nem é surpresa e nos faria rir a bom rir, não fora o estarmos a ser escanzelados em vida, é esta gente ser de pensamento supostamente estruturado na linha da frente de uma suposta reestruturação do Estado salvifica de todas as crises. Cedem sempre à tentação de se imortalizarem nos minutos fátuos em que, com pompa e circunstância, apresentam em letra de forma impressa em fólios rutilantes a sua transpiração cerebral, cujo núcleo duro é a destruição do Estado Social, para o colocar ao serviço dos interesses privados de alguns. O ridículo é depois de resolverem todas e mais algumas crises económicas e políticas do sistema em páginas e páginas de ocioso pensar. Ao primeiro virar da esquina das suas aventuras profissionais, trambulham e estendem a mão ao malfadado Estado, sempre muito abertamente generoso para essa gente enquanto é de uma violenta forretice para a grande maioria da população.

Foi assim com João Rendeiro que dias depois de ter explicado como um banqueiro bem informado e dotado de faro perdigueiro para a Bolsa sobrevivia a todas as crises andando sobre elas como Cristo andava sobre as águas, foi ao Banco de Portugal pedir uns milhões de urgência para evitar a falência o banco a que presidia. É agora com Luís Amado que, munido com a sua experiência de ministro dos Negócios Estrangeiros socrático e dos segredos dos travejamentos económico-financeiros, explicou aos cidadãos ignaros e mesmo aos mais esclarecidos como se acende a luz no fundo da crise incendiando páginas e páginas de sólidos e incontornáveis saberes, para semanas depois correr atrás milhares de milhões de euros para capitalizar um pequeno banco que, pelos vistos, é incapaz de gerir. Estes “reizinhos” suposyos fazedores de opinião, acabam sempre nus na praça pública, ocultados pelos biombos da comunicação social estipendiada ao serviço dos poderes dominantes.

São estes os medíocres e incompetentes que nos desgovernam e se governam à conta do que todos os dias nos roubam.

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2 thoughts on “Afinal há Dinheiro!

  1. anamariasilveiro diz:

    Para lutar contra esta péssima gestão, se é que lhe podemos chamar gestão, é importante marcarmos a nossa posição quer nos locais de trabalho, não cedendo a pressões, quer mostrando a nossa indignação na manifestações, quer na participação na conferência a realizar no dia 23 “Em defesa de um Portugal soberano e desenvolvido”, quer, e principalmente, nas urnas!
    Pela queda do governo, pela mudança de políticas que nos destroem, comprometem o futuro dos cidadãos e transformam o país e os países do sul, numa coutada dos países ricos, onde o trabalho, sem direitos e mal pago, é um incentivo ao investimento estrangeiro!

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