Política

As piadas do Moedas

O Diário Económico cita hoje declarações de Carlos Moedas, secretário de estado adjunto do primeiro-ministro, nas quais, pela primeira vez, vemos que, afinal, os nossos atuais governantes também gostam de mostrar que têm sentido de humor. Mas ficam-se por aí, porque piada é coisa que não têm e não há coisa pior do que um comediante falhado.

Moedas é um desses falhados, ainda que tenhamos de reconhecer que seria preferível que tivesse seguido a carreira dos palcos para nos poupar a tanta piada de mau gosto.

Não resisto ao trocadilho fácil de escrever que as declarações são ainda mais interessantes porque são sobre o Euro e vêm de alguém chamado Moedas. Enfim, um Moedas a falar de moeda. Piadola fácil e amarela, mas pronto…

Diz o Moedas, moço alentejano de rija? têmpera, que, “hoje, em plena crise do euro, tendemos a focar a nossa atenção apenas naquilo que está a correr mal”. E por que será? Moedas, que usa pesados óculos, não consegue entender as razões de tanta má vontade e é duvidoso que, com tanta miopia, alguma vez venha a entender.

A maior piada da coisa está, porém, nas graçolas que o adjunto citou para sustentar o seu ponto de vista que, como qualquer um de nós pode ver, é prejudicado pela miopia galopante em direção à cegueira, ou coisa parecida, de que padece. Para defender o “extraordinário legado de paz e prosperidade” da União Europeia, Moedas recorreu a citações de dois norte-americanos, o comediante Louis C. K. e o ex-presidente Bill Clinton.

Deixemos de lado o Clinton e, como se diz agora, foquemo-nos na história contada por Louis C. K. sobre a experiência de ter Internet num avião. O homem, conta o Moedas, estava “maravilhado por estar a 50 mil pés de altura” e ter acesso à rede. “A meio do voo a rede falhou, e o passageiro a seu lado soltou um audível protesto por ficar a meio do seu e-mail”. Algo que, conclui o adjunto de Passos, “poucos minutos antes nem sabíamos ser possível tinha-se tornado já num direito adquirido“, acrescentando a conclusão tirada por Louis C. K.: “Tudo é maravilhoso e ninguém está feliz“.

Percebe-se, perfeitamente, por que é que o homem não foi comediante, ainda que a técnica esteja lá. Comparar os “direitos adquiridos” que estão na ordem do dia na sociedade portuguesa – direitos sociais, direitos laborais, segurança social, educação, saúde, salários — com o direito a ter internet nos aviões é tão absurdo como insistir na tese, que já poucos repetem, de os portugueses terem “vivido acima das suas possibilidades” e de que “somos todos culpados”.

A única explicação para tão falhada tentativa de ter piada só pode ser encontrada no facto de o secretário de Passos estar a falar para uma selecionada audiência de empresários, na Câmara de Comércio Luso-Espanhola. Ainda assim, há notícia de que muitos deles não se riram…

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