Cultura, Literatura

Um livro… uma sugestão

É nas noites frias e chuvosas que, deitado, viajo pelo universo… com os meus livros.

Hoje fui conhecer a capital da Madeira – terra linda – com suas belezas naturais… e “feridas” profundas que causam mais dores que alegrias aos que lá vivem. Eu conto.

A vida – eu já o sabia – tem sido difícil para todos, em particular para os mais pobres, para os que vivem do seu trabalho. Ontem como hoje o desemprego, a emigração e o empobrecimento são verdades que não carecem de demonstração, porque são reais e visíveis – com pequenas oscilações intermitentes – e que não descolam deste nosso mal viver.

E é da vida das gentes do Funchal, no já longínquo início do século XIX, que o autor – António Breda Carvalho – centra a narrativa do seu último livro, O fotógrafo da Madeira, que pela qualidade da escrita e pelo retrato original e fidedigno da época – escrita que reconstrói o ambiente social, político e económico de então – merece a melhor atenção.

A vida dos mais desfavorecidos – por oposição à boa vida dos “fartos” –, a justiça – a que existe não satisfaz, porque injusta, a que se anseia… tarda –, o bem e o mal, a liberdade religiosa, as relações de poder instituídas e os seus interesses, os pequenos enredos, mesquinhos, os jogos e as ambições desmedidas, a insaciável busca de protagonismo dos mentecaptos, o sofrimento e a vida rude e dura da maioria, em desconformidade com o prazer e a luxúria de alguns, são realidades descritas com uma “transparência lúcida” e de forma inteligente.

E mesmo em tempos de escuridão, a vida também é feita de relações de amizade, de amores e paixões, com ou sem sexo, de heróis e vilões, de aparências, de intrigas e de jogos políticos que minam os valores e os verdadeiros interesses que urge prosseguir.

Esta é uma terra de contrastes onde a cor e a dor marcam o viver de cada dia.

Um livro a ler… sem qualquer dúvida.

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Nota: O Fotógrafo da Madeira, de António Breda Carvalho, Oficina do Livro, 2012

Não conto nem desvendo a história que o autor escreveu, para não vos retirar o prazer da sua leitura.

Um reparo: Houve (pouco rigor?) pressa desmedida, sem que se compreenda, na última parte do livro, o que não está em harmonia nem com o ritmo nem com a escrita cuidada até então utilizada. Um pequeno senão numa história quase perfeita.

 

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One thought on “Um livro… uma sugestão

  1. Ana Rosa diz:

    Já li o livro e adorei. No entanto, não concordo inteiramente com a apreciação final. Para mim, não é apressado, é um fim veloz e súbito. Há um rastilho a arder lentamente desde o início que faz explodir o barril no final. Depois de Afonso ter regressado de Lisboa e de se ter deparado com o cenário trágico, e a partir do momento em que tomou a decisão de partir para o exílio, acabou-se a história. Não há qualquer interesse em saber o que ele fez desde esse momento até embarcar ao encontro de Laura. O que se dissesse não acrescentava nada à força do epílogo e seria um arrastar desnecessário.

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