Política

Ter razão (muito) antes do tempo…

Ter razão antes do tempo equivale, normalmente, a sermos apelidados de catastrofistas, pessimistas ou coisas ainda piores.

Carlos Carvalhas, que foi secretário-geral do PCP, teve-a, de facto, muito antes do tempo, ainda que, na altura, o que dizia fosse perfeitamente previsível.

Eis o que disse Carvalhas sobre a moeda única:

«A moeda única é um projecto ao serviço de um directório de grandes  potências e de consolidação do poder das grandes transnacionais, na guerra com as transnacionais e as economias americanas e asiáticas, por uma nova divisão internacional do trabalho e pela partilha dos mercados mundiais.

A moeda única é um projecto político que conduzirá a choques e a pressões a favor da construção de uma Europa federal, ao congelamento de salários, à liquidação de direitos, ao desmantelamento da segurança social e à desresponsabilização   crescente das funções sociais do Estado.»

Disse-o em 1997, numa Interpelação do PCP sobre a Moeda Única.

Para quem diz que os comunistas são conservadores, repetem sempre a mesma cassete, estão presos a um modelo que faliu, as palavras de Carvalhas são a melhor lição. Pena é que não a aprendam…

Advertisements
Standard

2 thoughts on “Ter razão (muito) antes do tempo…

  1. Anita Vilar diz:

    Pois é, 15 anos é muito tempo; tempo que se desperdiçou. Hoje, muito srepetem as palavras aqui deixadas como se fossem ideias deles próprias. Entretanto, onde andaram?

    Anita

    Gostar

  2. Rogério Palma-Rodrigues diz:

    Poderíamos dizer que, para alguns, é natural a capacidade de antecipar com esta aproximação o resultado de medidas como as referidas, tomadas pelas potências imperialistas. Basta que estejam munidos de um instrumento de análise, a preciosa ferramenta que se chama dialéctica materialista, e, bem informados sobre a realidade, façam dela correcto uso.
    Pelo contrário, é confrangedora a indigência das “análises” com que somos bombardeados todos os dias, nos meios de comunicação, as quais não passam de uma interpretação superficial, factual, dos acontecimentos políticos, sem irem à origem profunda dos mesmos e às suas primeiras causas. Têm uma perspectiva metafísica da realidade.
    Muitos destes “analistas” não são culpados da sua incapacidade de apreenderem a essência dos fenómenos. Vítimas de incultura e de desinformação, nada mais fazem que o relato tosco daquilo que presenciam, desse modo passando a carrascos promotores dos erros e insuficiências que os mutilaram. Esta miopia, quando não cegueira, serve à maravilha o desiderato daqueles que pretendem deter o controlo dos acontecimentos políticos e sociais. Noam Schomsky denomina “estratégia da distracção” ao elemento primordial desse domínio tirânico da classe dominante sobre as classes ignaras.
    Mas é de admitir que os estrategas da direita não desconheçam de todo os princípios da lógica dialéctica e das suas deduções tirem proveito. Esses, desde logo terão percebido que Carvalhas tinha razão e os topava, mas isso não era motivo para mudarem procedimentos, era, sim, motivo para intensificarem a guerra ideológica e acelerarem a consumação dos factos de modo a que quando a maioria desse por isso já o mal estava feito. Assim aconteceu.
    A estas antecipações reactivas também é preciso responder e a resposta tem de depender, precisamente, da aprendizagem mais precoce e mais ampla, por parte dos cépticos, de que o materialismo histórico tem fundamento científico e conduz a conclusões confirmadas pela vida.

    Gostar

Comente aqui. Os comentários são moderados por opção dos editores do blogue.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s