Política

A lógica da batata

Para quem não sabe, a batata chegou à Europa no reinado do espanhol Carlos V.

O marinheiro e conquistador espanhol Francisco Pizarro, por volta do ano de 1530, trouxe este tubérculo na volta da sua primeira viagem às Américas.

Entre as provisões incluidas na viagem de regresso, vinha a batata até aí desconhecida na Europa. O regresso durou alguns meses, nos quais os marinheiros decidiram evitar tal comida enquanto puderam. A carne ia apodrecendo, os vegetais não existiam e a única coisa que ia aguentando era a batata. Mais, aqueles que comiam batatas não apanhavam escorbuto ao contrário dos restantes marinheiros. Não se sabia na época que as batatas contêm vitamina C.

Durante um século, a igreja católica foi caraterizando a batata como coisa do diabo. Como não se falava nela na Bíblia, diziam que não podia ser coisa de Deus. O que cresce em cima da terra é de Deus e dos homens e o que cresce abaixo da terra é do diabo e dos seus acólitos, era este o discurso oficial da igreja católica apostólica romana.

Em 1618, começou na Europa a  guerra dos trinta anos. Os campos de cereais arderam. Os campos de batata também. Mas elas não foram atingidas, ao contrário dos cereais que arderam. Permaneceram abrigadas e saudáveis debaixo da terra. Com o decorrer dos anos, as batatas tornaram-se o alimento que permitiu a milhões de pessos, repito milhões de pessoas, não morrerem à fome. Foi durante estes anos que os europeus se renderam à batata.

E é a batata (já lá vão 400 anos) que continua a salvar milhões de pessoas de morrer à fome. Se quisermos até ser um pouco mais “finos”, temos a batata frita como alimento “gourmet” para todas as classes sociais.

O patriarcado de Lisboa é uma instituição antiga. Já lá vão quase 300 anos, pois tal título foi atribuido no ano de 1716. Este título consubstancia a máxima dignidade honorífica atribuível pela igreja católica e apostólica romana a uma diocese ou arquidiocese. Com a atribuição da dignidade ao arcebispo de Lisboa, este ultrapassa finalmente em importância o arcebispo de Braga que, com o título de primaz das Espanhas, foi, até 1716, o mais elevado clérigo existente em Portugal.

Por privilégio concedido por bula pontifícia, o patriarca de Lisboa é sempre nomeado cardeal pelo papa. Após a elevação ao título de cardeal, o patriarca de Lisboa adopta o título de cardeal-patriarca. O actual cardeal-patriarca de Lisboa é  o senhor José da Cruz Policarpo, que pode ser eleito papa da santa???  igreja apostólica e católica romana.

Pois este gajo (coisas do diabo?) que pode ser eleito dirigente máximo da igreja católica apostólica romana, ou seja, pode ser papa, acha que não vale a pena fazer manifestações em Portugal, pois estas nada mudam, são uma perda de tempo e energias.

Óh! Policarpo! As batatas também nada mudavam … Parabéns, óh! Policarpo, pois deste um novo sentido à lógica da batata. Mas como diria Galileu a esses gajos da tua seita que o condenaram, ela move-se … perdão, as batatas, alimentam e salvam milhões de pessoas de morrer à fome.

Maus tempos aqueles que atravessamos, pois mais um merdas das finanças acompanhado de um qualquer cardeal patriarca de Lisboa acham que podem governar Portugal. A história começa a repetir-se.

Olha bem, óh! Policarpo! Não inventaste nada. Apenas mostras as garras da igreja que, analisadas à luz da tua fé, são iguais às garras do diabo.

 

Advertisements
Standard

Comente aqui. Os comentários são moderados por opção dos editores do blogue.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s