Geral, Política

Procissão de Cegos

Parábola dos Cegos, Pieter Brueghel, o Velho
um cego conduz uma caravana de cegos

Um governo em fuga. De cobardolas que metem os pés pelas mãos na Assembleia da República ao serem confrontados com moções de censura que despem as tarouquices do seu argumentário. Que fogem a sete pés do povo, mesmo do povo que o elegeu. Povo que assiste ao aviltamento de um primeiro-ministro a correr para o avião para desembarcar numa qualquer reunião insignificante para, por poltronaria, abandonar a comemoração da implantação da República, mesmo quando, pela primeira vez em cem anos, foi celebrada quase à porta fechada. Com todos os ministros a escolherem portas esconsas para entrar e sair, procurando escapar-se sem ser percebidos.

Um governo de pantomineiros que cada vez que aperta um furo do cinto dos portugueses, para a maioria já não existem mais furos, promete que é a última vez para poucos meses decorridos arremedarem a mesma conversa em que já ninguém acredita.

Um governo de ineptos incompetentes que se escondem uns atrás dos outros. Isto não é um governo é uma barraca de feira onde os ministros aparecem e desaparecem, tentando fugir a ficar no retrato do descalabro da governação e às bolas que o povo lhes atira sempre que tiram a cabeça de fora. A desorientação é de tal jaez que já recorrem a números de ventriloquismo, em que o Borges é o principal e prazeroso boneco de serviço. Teatradas de títeres que, com argumentos cavilosos, vão tramando o país.

Espectáculo nauseante e fedorento o desta procissão de pseudo tecnocratas cegos por uma ciência de numerologias tóxicas que matam e esfolam os direitos sociais, económicos e políticos, que espalham a desgraça por todo o país clamando em vão pelo fim da crise, simulando uma luz fátua ao fim do túnel quando já nem sequer se vê o túnel. Cortejo de cegos que se vendem por trinta dinheiros ao todo poderoso capital e caminham para o barranco para onde também querem empurrar o país. Para onde o atirarão se os deixarmos prosseguir essas políticas errantes, de mentes perturbadas pelo deserto das folhas de cálculo de economias virtuais sem gente, sem terra, sem sol, sem árvores, sem mar, sem nada.

Um governo de homens de palha do capital, serventuários das latrinas dos mercados, que andam atarantados a correr desatinados pelos labirintos da crise atirando medidas às paredes a ver se alguma pega e tapa ao acaso um dos vários buracos por onde ela entra e cresce. Bola de neve a levedar sem parança ameaçando ir desfazer-se num abismo de que não se vê o fundo.

Enquanto Portugal é um titanic a afundar-se abalroado pela crise, os partidos do governo e a oposição intermitente do outro partido do amaldiçoado arco governamental escrevem um capítulo de raro brilho e densidade da História Universal da Pulhice Humana. Não é que desde muito tempo atrás essa história não esteja a ser enriquecida com episódios nacionais, só que agora atingiu-se um grau superior de sofisticação, desde que o primeiro-ministro gargarejou a voz para  desafinar o nini vestida de organdi depois de ter anunciando o maior roubo, feito de uma assentada, aos trabalhadores para enfiar os milhões extorsionados nos bolsos do grande capital, até à cena de ópera buffa, vista em directo e ao vivo, de Paulo Portas a enfiar-se cadeira abaixo, escrevendo com o afã de mulher-a-dias a enfrentar a porcaria que tinha conscientemente feito, mentindo aos eleitores sem uma ruga de pudor, como é seu timbre e fica bem com os fatos às riscas e na moda que enfarpelam a sua chibante xico-espertice. Enquanto Honório Novo lhe esfregava na cara lampeira as asquerosidades que tinha feito, nas suas costas, os seus parceiros de quadrilha riam-se, com velhacaria, a bandeiras despregadas. Os episódios sucedem-se, cada um mais desprezível que o anterior.

Portugal está a ser governado por esse bando de malévolos cegos, que se passeia sem rumo pelos corredores do poder defecando poucas e corruptas ideias nas leis com que vai enforcando o país, onde já só se atrevem a por um pé dentro de cápsulas de segurança.

Portugal vive em estado de calamidade económica, social e mental. Tem que se livrar dessa gente para que o ar se torne de novo respirável. Uma emergência que já disparou todos os sinais de alerta. Não há tempo a perder.

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