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Interrogações sobre a esquerda e a alternativa

Regularmente, um determinado grupo de pessoas, promove acções, declarações, manifestos, encontros e debates para reflectir sobre a esquerda, a democracia, a unidade e a alternativa.

Uma importante e urgente reflexão, em especial, quando a política de direita que nos governa acerca de 37 anos conduziu o País à falência e coloca-nos agora no caminho do desastre nacional.

Hoje, irá realizar-se o chamado Congresso Democrático das Alternativas que, envolto numa grande simpatia mediática, promete contribuir para a construção da unidade e de uma alternativa de esquerda.

Considerando a necessidade e a urgência dos objectivos proclamados, olhando aos promotores, aos textos e documentação disponibilizada, é-me impossível não ficar com uma série de interrogações e profundas dúvidas que, aliás, já existiam em torno das iniciativas da «esquerda mais livre», da «candidatura cidadã de Manuel Alegre à presidência da República», do «encontro das esquerdas» e similares.

Que esquerda é esta que diz querer a unidade da esquerda? Que esquerda é esta que inclui alguns dos executores da política de direita?

É possível construir a unidade e uma alternativa de esquerda com quem deu o seu apoio à assinatura do pacto de agressão celebrado entre o Estado português e a chamada troika; com quem se absteve violentamente no último Orçamento de Estado; com quem se absteve hoje na votação das Moções de Censura ao Governo PSD-CDS apresentadas pelo PCP e pelo BE; com quem votou favoravelmente ao designado resgate financeiro da Grécia, contribuindo para sujeitar o povo grego à agressão que conhecemos; com quem defende o reforço do processo de integração capitalista europeia, o reforço do federalismo europeu e a alienação total da soberania nacional?

A unidade e a alternativa de esquerda é uma necessidade imperativa para que o povo e os trabalhadores portugueses ponham termo ao desastre nacional, alguns bem intencionados participarão no referido Congresso, mas, para além de garantir algum espaço mediático para alguns dos promotores e  tentar absolver alguns que afirmando-se de esquerda têm sido executores da política de direita, não servirá para resolver nenhuma das contradições de quem não quer ir ao fundo do problema.

Existirá alternativa que não ponha em causa os alicerces do sistema capitalista, que não ouse pôr em dúvida a União Europeia e o processo de integração, que não assuma a imperatividade de uma clara ruptura com as políticas que nos conduziram à actual situação?

A unidade e a alternativa não se constroem por decreto, por belas proclamações, por se sentarem todos na mesma sala a trocar umas ideias, mas pela prática, pela acção concreta, convergente e determinada para derrotar a direita e a sua política, para construir um caminho de futuro, de aprofundamento da democracia, de progresso e justiça.

Daí as minhas interrogações.

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2 thoughts on “Interrogações sobre a esquerda e a alternativa

  1. Olinda Peixoto diz:

    Mas estes democratas alterneiros nao teem estado sempre coniventes com os responsâveis do estado a que Portugal chegou?O capitalismo ë ,por si sô,irreformâvel.Vai ser um congresso de muito blâ blâ,para que nada mude.

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