Praça do Bocage

O OGRE

António Borges sempre foi um personagem execrável mimado por uns quantos saloíssimos (sem desprimor dos verdadeiros saloios que sempre foram maltratados por preconceito) personagens do nosso tacanho mundo mediático. O Borges sempre foi e será um pequeno petulante que vomita sentenças que eram violinos para as orelhas dos especuladores. Fabricou-se um alto conceito do seu saber de economês baseado nuns vagidos, nuns arrotos que ia plantando e que lhe enceravam a vaidade por não haver contradita. Muletava a pose com que volteava com desprezo o seu baço olhar pela humanidade. Ele era o Borges, o super Abranhos que andava pela estranja, e que se julgava somar êxitos. Até que um dia… foi dispensado, forma amável de dizer que lhe deram um pontapé no cu e o atiraram para a rua por manifesta incompetência. O FMI por muito permissivo que seja tem limites para aturar e pagar ignorâncias a um canhestro economista.

Voltou para a terrinha aproveitando o balanço de um governo de xico-espertos ineptos. Faz-se pagar principescamente para ocupar um lugar de onde manda bitaites sem se expor. Só que … lembram-se de um programa dos Marretas que abria a tocar uma música lentíssima com o baterista a escovar os timbales até que desata a bater furiosamente na pele dos tambores gritando: o Animal não aguenta! À sua imagem e semelhança o Borges, transpirando vaidade por todos os poros, não consegue aguentar a sombra. Vai daí salta para a arena a bufar, a escarvar o solo, a dar cornadas a torto e a direito. Em cada cornada consegue o milagre de pôr muita gente em turbamulta, mesmo os que silenciosamente o apoiam e cobardemente não o manifestam. Outros desculpam o senhor professor de dizer as maiores alarvidades sentado na pirâmide do seu desconhecimento da ciência e da vida. Nada pior que um ignorante a quem se atribui algum poder. Lamentam a sua pouca sensatez. Aludem que tem formulações infelizes. Queimam mais uns paus de incenso para iludir o fedor do ogre.

Muitas das sentenças do Borges dizem em voz alta o que o governo está a fazer, quer fazer sem muito ruído. Baixar em 50% os ordenados dos trabalhadores, privatizar este mundo e o outro, deixar á solta o capital para explorar como muito bem quiser o trabalho, transferir os rendimentos do trabalho para o capital, apertar o cinto até não haver cinto, só fivela. O Borges vai mais além, saudoso das soluções do “Arbeit match frei”, que pensa em formato pós-moderna.

O Borges, que nunca trabalhou na vida, tem soluções eficazes para resolver os problemas de Portugal. O estorvo são as pessoas. Uma chatice para as soluções do Borges que, se fosse deixado à solta resolvia em duas ou três penadas.

80% da despesa do Estado, uma mentirola que não lhe faz cócegas, é com as remunerações da função pública? Despeçam-se 80 % dos funcionários públicos. Tudo para o desemprego nada de os reformar que isso ia aumentar as despesas.

Os volumes das reformas têm valores que colocam em causa o seu pagamento futuro? Pesam muito no Orçamento de Estado? Simples em cada 100 reformados entre os 65 anos e os 70, abatem-se cinco, entre os 70 e os 75 anos, dez em cem, dos 75 aos 80, quinze em cem, dos 80 aos 85, vinte em cada cem, a partir daí não se deixa ninguém vivo.

O mesmo critério no Serviço Nacional de Saúde, com a medida complementar de a partir dos 55 anos o único medicamento comparticipado ser a aspirina! Assim se garante um SNS universal.

O desemprego é gravíssimo e tem que ser atacado sem hesitações. Deve-se colocar um pelotão de fuzilamento em todos os Centros de Desemprego. Em cada cem desempregados que o procuram, sorteiam-se de hora a hora cinco que serão imediatamente fuzilados. As despesas com o funeral serão enviadas à família com uma nota de débito para repor 50% dos subsídios de desemprego que foram auferidos pelo defunto. Se os Centros de Emprego depois dos primeiros dias desta medida começarem a ficar desertos, procuram-se os desempregados onde estiverem, coloca-se um alvo no vestuário e dá-se ordem para disparar à vontade sobre os portadores desse sinal. A enorme vantagem desta solução é começar a haver edifícios da segurança social que entram para o mercado imobiliário, contribuindo para o aumento das receitas do Estado. O efeito principal é reduzir estatisticamente os desempregados e garantir a sustentabilidade do sistema.

Na ciência económica do Borges só há um ser vivo: o dinheiro, uma actividade:  a especulação financeira ou não fosse ele um pregoeiro dos hedge founds.

Não nos iludamos! O Borges é o ogre dos tempos difíceis que vivemos! Atrás dele está uma matilha sedenta!