Política, Trabalho

Proença e a TSU

Foi impressão minha ou a crise da TSU e a fuga para a frente do Governo (a ver vamos…) serviu também para lançar uma operação de limpeza da imagem de João Proença, líder da UGT, o mesmo que deixou passar o novo pacote laboral que tira direitos aos trabalhadores?

Não deixa de ser estranha, ou talvez não, esta transformação de Proença de vilão do pacote em herói da TSU, em particular quando se sabe que quem faz todo o trabalho de esclarecimento e de mobilização nas empresas não é, certamente, a UGT, mas sim a Intersindical, a mesma que foi excluída das conversações com o Governo na semana passada a propósito das mais recentes medidas de austeridade.

Mais extraordinário é que Proença e a UGT nos venham dizer que a “dinâmica para a greve geral já está em movimento“, quando se sabe que dinâmica é coisa que esta pseudo central sindical, que, historicamente, sempre serviu de amortecedor laboral aos governos PS e PSD, nunca teve. Nas greves gerais, e já participei em algumas, em especial na que teve o apoio da UGT, nunca vi ninguém daquelas bandas a fazer piquetes de greve ou o que quer que fosse.

Uma coisa é certa: por muitas operações de limpeza que façam, João Proença não ficará na história como herói, mas sim como o dirigente sindical que, no momento em que os trabalhadores mais precisavam de quem os defendesse, os traiu vergonhosamente.

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One thought on “Proença e a TSU

  1. Na mouche!
    Mas, parece-me que mais do que fazer a limpeza de uns e outros destes nossos políticos do centrão, com o Proença e o Seguro no pacote em companhoi do PPC, o que foi finalmente conseguido nesta manobra de diversão, foi mascarar as medidas reais que vão aplicar no Orçamento.
    Os portugueses ficaram a pensar que fizeram recuar o Governo da direita quando este conseguiu de facto o «apoio» para incrementar a austeridade, instituir o roubo dos subsídios e o aumento dos impostos para níveis que roçam a impossibilidade e as pessoas ficam com a ideia que este é um mau menor.
    Tudo isto foi congeminado e preparado com a ajuda dos «paralíticos» e malfeitores assentados no Conselho de Estado.
    A manobra irá ficar para a história, muito embora seja prática comum destes políticos de direita, ora lembrem-se das ‘rentrées’ do Socrates a ameaçar com o diabo no OGE para depois reduzir um pouco e conseguir impor as medidas previamente desenhadas.
    São estas formas de fazer «política» que a tornaram de uma actividade meritória em defesa do bem comum num «golpismo» barato de opções em defesa de interesses afastados dos da população em geral e representados pelas classes que dominam estes ‘títeres’.
    Luís Quintino

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