Política

Portas, o revolucionário

Há quem o garanta a pés juntos: Lenine alçou levemente uma sobrancelha quando um português, de visita, em chuvosa manhã domingueira, ao mausoléu onde congelaram o chefe da revolução russa na moscovita Praça Vermelha, lhe contou, ao ouvido, que Paulo Portas e seus compinchas até já admitem a nacionalização das Parcerias Público Privadas para salvar as metas do défice impostas pela troyka.

Que não, explicou o português, não se tratava daquele grupo de rapazes que o substituiu no poder quando começaram a pensar em congelá-lo,  o Zinoviev, o Kamenev e o Stalin, mas sim um outro grupo de rapazes, também conhecido por careca, alemão e etíope, que, nos últimos meses se entreteram a dar cabo da vida aos portugueses e da economia do país em nome do FMI, do BCE e Comissão Europeia.

Vladimir Ilitch, que pode não saber quem é esta gente da troyka, mas conhece o Portas de gingeira, alçou ainda mais a outra sobrancelha quando o português, que já aguentara estoicamente duas horas na fila, à chuva, só para o ver, lhe leu o “Expresso” deste fim de semana, onde um anónimo dirigente do antigo PP de Paulo Portas afirma, sem se rir, que “vamos ter de acabar por ter de tomar medidas unilaterais e, aí, a hipótese radical seria a nacionalização. No CDS já falámos disso“.

Por cá, enquanto Lenine quase descongelava, ouvia-se uma gargalhada monumental em reação ao fervor nacionalizante do CDS, em especial graças à declaração do chefe do partido — que põe água da fervura, para disfarçar, claro — segundo a qual essa coisa de nacionalizar não é bem assim, mas já invocar o interesse público, para forçar uma “negociação dura“, isso sim, é para avançar.

É uma espécie de “segurem-me, senão vou-me a eles” em que Portas é especialista, como ficou provado nestes últimos dias de simulacro de crise interna da coligação de governo PSD/CDS.

Claro que Validmir Ilitch, depois da primeira reação de espanto, acabou por esboçar um largo sorriso que deixou os taxidermistas do mausoléu profundamente intrigados, mas não o português que acabara de lhe dar a notícia, visto a atravessar a Praça Vermelha em direção aos antigos Armazéns do Povo a rir convulsivamente…

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