poesia

A poesia… enquanto arma

Quando olho para trás
Dói-me a memória
Dos dias de bandeira içadas
E hinos espontâneos
Fáceis de trautear
Em que acreditámos

Quando olho para trás
Doem-me as lágrimas de alegria
As vozes inesperadas na televisão
De uma velhinha camponesa
E de um operário cheio de esperança
Por ele, pelos seus,
Ver os filhos e os netos
Doutores, senhores;
O sonho americano
Em dimensão lusitana

E agora,
Que aconteceu ao milagre
Que destruíram,
Que, se calhar, ajudámos a demolir
Sem dar por isso

Voltámos a ser desatentos,
Desinteressados, alheios
Com os olhos postos
Na pobreza plástica de um mundo novo
Que pensámos ser progresso e
Expansão

Criticam-se os delinquentes,
A droga que prolifera sem fronteiras
Mas ninguém cuida
Em sentir-se culpado

Lá longe, no passado
Repousa a alegria das portas da prisão
Abertas

Lá longe, no passado
O orgulho de poder ir às urnas,
Ter convicções, responsabilidades
Pelos demais

Que fizemos ao sonho?
Adormecemo-lo com calmantes e
Indutores de sono?
Matamo-lo com antidepressivos
Para deixarmos de pensar?

Seria bom
Ousarmos procurar em nós
Os caminhos para traçarmos
Novos rumos

Com coragem
Com consciência
Com determinação

21-12-08
In IDADES de Ana Wiesenberger

Standard

One thought on “A poesia… enquanto arma

Comente aqui. Os comentários são moderados por opção dos editores do blogue.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s