economia, Geral, Política

Lutas difíceis de todos os dias

Em geral, os órgãos de comunicação social, bem oleados pelos interesses dos exploradores, não nos fazem prestar atenção às lutas que se vão desenvolvendo por todo o País (nem delas falam, de facto).

Quis fazer uma recolha das lutas travadas no País desde Janeiro deste ano, mas a lista seria enorme; por isso decidi fazer a lista das últimas lutas do mês de Julho e início de Agosto. Porventura, faltar-me-ão algumas, mas que me perdoem todos os que eu não referir aqui.

Resistir já é lutar; a luta tem de fazer parte do nosso dia-a-dia tal como o pão, pois é este que tem de ser defendido de forma organizada, firme e denodada.

Bem podem vir dizer que são “coisas” organizadas; pois claro que são; isto entre nós da Praça: eles, os patrões, os políticos têm muito medo da luta organizada e determinada dos trabalhadores. E temem, mais do que o diabo teme a cruz, a movimentação das populações na defesa dos seus direitos que são, afinal, terem uma vida digna, com direitos, que eles quase sempre esquecem que fazem parte dos tais direitos humanos que invocam quando lhes convém fingir e fazer demagogia.

E lutar, fazer greve, sair para a rua é difícil nos tempos que correm.

Então, aí vai a lista das lutas que consegui apurar durante o mês de Julho e início de Agosto.

Os professores realizaram concentrações regionais no Porto, Coimbra, Évora, Faro e Lisboa; professores protestaram nas galerias da AR aquando da audição do Ministro da Educação. No dia 12, manifestação em Lisboa.

Os trabalhadores da EMEF manifestaram-se dia 26 de Julho contra o plano da empresa que ameaça 500 postos de trabalho.

Vários protestos dos enfermeiros.

Os trabalhadores da STCP realizaram uma greve.

Utentes do Montijo e de Montemor-o-Novo convocaram concentrações/vigílias contra o encerramento de serviços de saúde.

Os trabalhadores do calçado realizaram uma tribuna pública com concentração frente às sedes da Liga de Clubes e Associação Patronal do calçado.

Os trabalhadores do sector têxtil manifestaram-se em Vila Nova de Famalicão.

Concentração de trabalhadores do call-center da Optimus, em frente à sede da Sonaecom.

Greve dos trabalhadores na Carristur no dia 20.

Greve nacional dos Médicos.

Trabalhadores da ICL e da ICAL estiveram em greve desde o início do mês de Julho e persistiam nela em 26 de Julho.

Marcha de tractores entre Ovar e Estarreja promovida pela Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro;

Os trabalhadores do Instituto de Segurança Social protestam em Lisboa contra a privatização de creches.

Em Alvito, Barcelos, a população realiza marcha lenta contra o encerramento do posto de saúde.

A população de Vila Nova de Gaia fez uma manifestação exigindo a construção do novo Hospital.

Jovens realizaram um piquenique contra a precariedade e o desemprego.

Reformados concentraram-se junto da AR em protesto pelos roubos dos subsídios de férias e de Natal.

Os bolseiros de investigação científica protestaram junto do Ministério da Educação e Ciência.

Os trabalhadores das cantinas escolares de Lisboa manifestaram-se no dia 28 contra a precariedade e a falta de aumentos salariais;

Na Covilhã, manifestantes expressaram o seu descontentamento ao Ministro da Economia.

Os trabalhadores da Rodoviária de Lisboa fizeram uma greve de 24 horas .

Cerca de mil taxistas realizaram uma marcha lenta de protesto em Lisboa.

Utentes da Quinta do Conde exigem a abertura imediata do novo Centro de Saúde que está pronto há vários meses.

Os viniviticultoresde Nogueira e Ermida realizaram uma marcha lenta de viaturas agrícolas que terminou em Vila Real.

Cerca de 400 autarcas manifestaram-se em Lisboa em protesto contra o novo mapa judiciário que prevê o encerramento de 54 tribunais.

A população de Castro Daire manifestou-se contra as portagens na A24, o encerramento do tribunal e dos serviços de saúde durante a inauguração pelo Presidente da República do novo Parque Urbano.

Os trabalhadores da ESABE, empresa que efectua a limpeza nos combóis e bilheteiras da CP, fizeram uma greve de 24 horas e manifestaram-se no dia 3 de Julho em Lisboa pelo pagamento dos salários no último dia de cada mês e de todos os salários em atraso.

Os trabalhadores da Administração Pública exigem junto do Ministério das Finanças a reposição dos subsídios de férias e de Natal.

Os trabalhadores do Metro de Lisboa cumpriram uma greve de 24 horas em 31 de Julho.

Os carteiros de Leiria decidiram prolongar a greve ao 2º período normal de trabalho de 25 de Julho a 10 de Agosto que decorreu de 11 a 21 de Julho.

A população de Grândola manifestou-se a favor da manutenção do centro de saúde, que tem mais de seis mil utentes sem médicos e não tem capacidade de resposta para funcionar durante 24 horas.

Está marcada uma greve para dia 6 de Agosto na Luis Simões, a maior empresa de transporte de mercadorias, em protesto contra a redução das remunerações dos motoristas (300 € por mês).

Também quero referir as lutas que têm decorrido no distrito de Setúbal tais como as da Delphi, da Serlima Wash, da CNE Fundiarte, da Uniceram, da SEAE-Iluminação, do Jumbo, da Portucel, da Ensul/Meci, da Visteon, da Cabovisão, da Continental Teves, da Lusosider, da Alstom e da Parmalat.

Outras lutas houve pelo direito à saúde, contra os roubos dos subsídios de férias e de Natal, contra a agregação cega de freguesias no nosso distrito.

Saúdo todos aqueles que confiam na luta como o caminho certo para a derrota desta política de direita que afunda o País, vende ao desbarato empresas altamente lucrativas, defende activamente os interesses dos banqueiros, torna mais pobres e desprotegidos os portugueses, gera fome, trabalho infantil, emigração lesiva actual e futuramente e se submete a dirigentes de uma União Europeia cada vez mais predadora dos trabalhadores e dos povos e que se afasta mais e mais da lenga-lenga, troada por eles, da coesão e justiça social.

Há uma outra política possível que, tendo como base os interesses do País e dos que trabalham, nos levará a um bom caminho, de desenvolvimento real, de salários justos, de trabalho digno e com direitos que nos libertará do espartilho da dívida pública que vai subindo e nos tornará escravos do FMI, BCE E UE.

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