Política

Afinal, parece que não há juristas na SCML…

E eu que andava convencido que os recentes reforços de juristas contratados para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, graças à inestimável rede de amizades dos ilustres membros da Mesa desta instituição, dispensava mais “ajustes” destes… Mas esta é a gente que anda sempre a falar, de cátedra, com falsa e oca superioridade moral, dos “ajustes” alheios. Reconheçamos que 18.750 euros por ano para tratar meia dúzia de processos disciplinares não é nada mau…

A bem da contenção e da austeridade que tanto defendem — para os outros, claro, porque eles têm sempre algo de mais importante nas tarefas que desempenham que tudo justifica — seria interessante que também alguns dos juristas que julgam, e bem, que aquilo é a Santa Casa, contribuíssem para o cumprimento das metas orçamentais, para o déficit e essas coisas assim, entregando os seus cargos e deixando tudo para os Ruis Gomes da Silva.

Será interessante, aliás, perceber como funcionam as nomeações para a mesa da SCML. O provedor é nomeado por despacho conjunto do primeiro ministro e do responsável da tutela, que, por sua vez, nomeia os restantes membros da mesa, por sugestão do Provedor. Vale a pena ver aqui quem são estes dirigentes, cujos salários têm, de acordo com os estatutos da SCML, por referência os montantes salariais estabelecidos para os gestores públicos, que, por sua vez, têm o salário indexado ao vencimento do primeiro ministro, que até nem é nada mau. É verdade que Santana Lopes até prescindiu do vencimento, mas, afinal, para que raio quereria ele aquilo? Já lhe basta as outras coisitas que recebe graças à sua valorosa prestação como deputado e outras coisas afins desde tenra idade…

Aguardo ansiosamente pela tomada de posição dos juristas da SCML à contratação deste amigo de peso do senhor provedor.

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2 thoughts on “Afinal, parece que não há juristas na SCML…

  1. … E António Costa encomendou ao amigo e camarada António Mega Ferreira, também por ajuste directo, um estudo sobre os museus de Lisboa no valor de quase 20 mil euros… porque, «obviamente», não existe na Câmara Municipal da capital quem fosse igualmente capaz de o realizar. Suponho que também discorda… ou não?

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    • Não concordo nem deixo de concordar. Por mim, contratem lá quem quiserem. O problema reside apenas nas falsas morais que alguns pregam quando se trata dos outros. Quando são os outros a fazer, aqui del rei que não pode ser, porque é uma vergonha. Quando são eles a faze-lo, então já não ha problema… A questão central reside nas narrativas que se construíram sobre estas materias pelos partidos do governo, que eles próprios se encarregam de desmentir a cada instante.
      Reconheço, contudo, que este é um problema transversal a todo o espectro partidário.

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