economia, Geral

Um País para o Guiness

Um Relatório da CMVM mostra que 17 administradores acumulavam, cada um, lugares de gestão em 30 ou mais empresas em 2010. Dai para aqui o quadro não se alterou substancialmente.

Os administradores executivos das sociedades cotadas a tempo inteiro acumulavam, em média, lugares de administração em 12 firmas de dentro e fora do grupo da sociedade onde exerciam funções. Os dados constam do Relatório Anual do Governo das Sociedades cotadas, relativo a 2010, divulgado hoje pela CMVM.

O regulador identificou também que 17 administradores acumulavam lugares de administração em pelo menos 30 empresas, tendo registado também um caso de um gestor, que não é identifica, que tinha lugar na administração de 73 empresas.

O relatório também revela que a idade média dos administradores executivos desceu para 52,7 anos no final de 2010, quase menos um ano que a idade média identificada em 2009 (53,6 anos).

Os mesmos dados mostram que o mundo da gestão nas grandes empresas continua a ser um universo de homens, visto que apenas 5,9% dos cargos de administração das sociedades cotadas eram exercidos por mulheres, em 2010, o equivalente a apenas 26 cargos em 440. Se tivermos em consideração apenas os membros executivos, a percentagem desce para apenas 4% do total e o relatório revela ainda que nenhuma mulher desempenhava as funções de presidente da Comissão Executiva em termos efectivos.

A estas constatações acrescente-se que os gestores portugueses são dos mais ganham na Europa. Em média mais 15% que os alemães, mais 23% que os finlandeses, só para dar dois exemplos. E que há administradores não executivo a ganharem de senha de presença, quer dizer por sentar o seu delicado traseiro protegido por sofisticadas cuecas e calças dos melhores tecidos, 7000 mil euros para despejar umas canagifâncias nas sanitas das actas. Ou uns marmanjões, supostamente especialistas nos meandros futebolísticos recebem mais de 6000 euros mensais por uma hora de entretinimento semanal nos canais televisivos dando caneladas no português e na estupidez de quem perde tempo a ouvi-los. A todo isto, que não é pouco, acrescente-se o aturar os paralíticos mentais que nos governam a prometerem o que tornam impossível com a destruição contumaz que empreendem exibindo nas pantalhas televisas o seu fácies iluminado pela idiotia das teorias que debitam. Este conjunto de factores  fazem deste nosso Portugal um potencial recordista do Guiness, já com alguns êxitos registados.

Ainda por cima é esta gente que anda a perorar propondo baixas de salários, precaridade dse emprego, redução das indemnizações de desemprego, depois de já ter roubado os subsídios de férias e do 13º mês,  e mais outras malfeitorias a que chama de reformas estruturais.

Temos, com este quadro,  um garantido e destacado primeiro lugar entre os países dos ananases, orgulhosamente estamos na Europa, temos o direito de  reinvindicar um fruto mais raro e luxuoso para nos distinguirmos dos países das bananas, coisa do terceiro mundo. . Por isso os nossos governantes deveriam exibir uma bandeira de Portugal em que as quinas fossem substituídas pelo Galo de Barcelos, de preferência já envolto por rendas tricotadas pela nossa joaninha, a que anda a encher de lágrimas o bidé da Maria Antonieta em Versailles por uma das suas obras emblemáticas ter sido censurada em nome dos bons costumes, amputando um bibelô àquela exibição.

Raridades para o Guiness, que está nos céus para nos conceder mais uma graça. O Guiness é a nossa Bíblia, o nosso Alcorão. Sem o Guiness não existíamos, daí o andarmos nesta lufa-lufa de bater recordes. Os próximos serão os milhões de euros que se evaporaram nas negociatas bancárias. Abençoado país cuja honra está a ser incinerada numa lixeira mas concorre para ganhar  tantas distinções guinessianas!

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2 thoughts on “Um País para o Guiness

  1. José Luis Porfírio diz:

    Já agora o galo de Barcelos emoldurado pelas bananas, da Madeira…é claro!
    Temos da voltar a ler o O’ Neil da “Feira Cabisbaixa” cada vez mais actual.
    José Luis Porfírio

    Gostar

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