“Hoje tenho a cabeça na lua e os pés na terra”… e sonho acordado, com frequência – como fazem as crianças, de um modo pouco racional, intuitivo, sem que para tanto necessitem de ter ou de dar uma qualquer justificação -, com realidades improváveis, das quais nunca me canso, só exequíveis em mentes “delirantes”.
Também as crianças são assim e eu gosto de ser como elas. “A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático que viver”.
Sonhar, a espaços, é uma mais-valia para quem saboreia estes estados de alma maravilhosos, singulares, mesmo que por breves instantes, de evasão ao mundo real, capazes de nos transportar para esse mundo mágico da fantasia e do imaginário, desconhecido por muitos, reprimido por outros, por vergonha (quem sabe?), e no entanto tão bonito… por ser simples, por ser humano, por ser nosso… e de mais ninguém.
De que falo? Dos sonhos que me tiram o sono. Falo de sensibilidade, falo do riso e do choro, do se ser solidário, da qualidade dos sentidos e do seu grau de exigência, da descoberta do belo, da inocência pura, do amor verdadeiro, da paz, de sentimentos múltiplos que só o Homem tem, porque lhe são imanentes e inatos… mas quantas vezes estão adormecidos.
E são muitas as razões que explicam o estado de descuido e de desprezo a que os votámos; porque têm estado ocultos, raras são as vezes que os compartilhamos, muitos foram os momentos em que os ignorámos (fingimos não ver, não ouvir, não saber) – porque podem não ser próprios de gente que se quer “forte”, “determinada”, “segura” -, como se de uma doença má se tratasse.
Por mim, o que quero é estar doente, com “doenças” assim, iguais às das crianças, que não causam nem dor nem sofrimento, antes pelo contrário; se alguém se rir, não faz mal…
Eu sou feliz desta maneira, como feliz é a criança que corre, vezes sem conta, atrás dos bandos de pássaros na esperança de os apanhar.
“O homem é do tamanho do seu sonho”.
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Nota: O mundo, por enquanto, é dos insensíveis, dos desumanos! Não sei se estou errado.