Geral

Homenagem aos judocas e ao tiro

Ponto prévio: não conheço nem tenho nenhum contato direto ou indireto com os judocas, Telma Monteiro e João Pina, bem como com o homem do tiro João Costa. Falo deles, apenas e só, do que conheço como figuras públicas.

Desilusões. Foi a palavra que mais ouvi hoje. A palavra desilusões referia-se específicamente aos judocas Telma Monteiro e João Pina. Porquê? Porque foram eliminados no primeiro combate em que participaram. Pelos vistos por atletas que também têm muito valor. A atleta que eliminou a Telma, ganhou a medalha de bronze, o outro atleta não sei em que lugar terminou, mas era de um valor muito semelhante ao português, segundo dizem os especialistas, porque eu de judo percebo zero.

Os média explicam: eram a grande esperança e afinal foram a grande desilusão. Eram a grande esperança, porquê? Porque os média assim proclamaram. Hoje de manhã (30-07), no noticiário das 7.30h ou 8.30h da rádio antena 1, ouvi esta frase espantosa “já se sente o cheiro das medalhas no ar”, falando da participação destes dois judocas, que iria acontecer daí a três ou quatro horas. Mas há já muitos dias que a intoxicação vinha em crescendo, em todos os média, como se comprova com uma frase muito utilizada: “Portugal estava à espera” … das medalhas destes judocas.

Falando curto, os média tinham decidido ainda antes do início da competição que os atletas portugueses iriam trazer para o nosso retângulo algumas medalhas e para os judocas a certeza era definida como “tiro e queda”, pouco menos do que absoluta. Como os média raramente têm dúvidas e nunca se enganam (onde é que já ouvi isto?), claro que apresentam a derrota dos nossos atletas como um fracasso. Eu pergunto: um fracasso de quem? Dos judocas ou dos média? Daí os média os terem transformado num piscar de olhos, de esperança em grande desilusão.

Aos ombros destes adultos ainda relativamente novos, ela com 26 anos e ele com 31, puseram uma enorme responsabilidade: redimirem o país. Ela ainda carregou com esse peso extra de transportar a nossa bela bandeira, no dia da inauguração dos jogos. Como se cada medalha conquistada pelos atletas portugueses nos jogos olímpicos alterasse a nossa vida diária, os dias negros que aí vêm. Nada de novo no mundo, tinhamos visto isto em Junho no europeu de futebol com a seleção. A comparação não é totalmente feliz, devido ao abismo profissional, social e económico que separa os atletas.

Durante o dia, tive a oportunidade de ouvir os dois judocas e estes revelaram-se verdadeiros campeões. Ela atribui a derrota a esse simples facto de a adversária ter sido melhor; acrescentou que “iria fazer um tempo de luto” e voltaria para de novo discutir os títulos. Reparem ela não disse ganhar, disse discutir, lutar, competir. Ele, de uma outra forma, menos humilde, mostrou a sua fibra ao afirmar que ainda quer estar nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, com 35 anos.

Reparem estar nos jogos olímpicos não é um motivo de querer, de desejo, de “cunhas”, neste caso estaria lá pelo menos um terço da população portuguesa. Estar nos jogos significa que se está entre os melhores do mundo na modalidade em que se participa.

Nós, portugueses, somos dez milhões, uma minoria desconhecida se fizessemos parte dos povos que constituem a China, a Índia ou a Rússia, apenas 2% da população da União Europeia. Temos que meter virgulas atrás do zero para nos quantificarmos enquanto população em termos do nosso planeta, qualquer coisa como 0,025%, da população mundial. Existem cidades no mundo, com o dobro do total da população portuguesa.

Estar nos jogos olímpicos é só por si um motivo de orgulho, lutar com dignidade dando o máximo é o que se pede. As medalhas são bem vindas, mas sabemos que são uma exceção, para os atletas excecionais.

Mais uma vez sinto que os grandes derrotados, não são os nossos atletas, são aqueles que querem fazer deles aquilo que eles não são. No caso do futebol, por exemplo, tentam elevá-los à condição de semi-deuses da atualidade.

Eu, já lá vai quase meio século, tive uma grande ajuda nos jornais “A Bola”, “O Século”, “Diário de Notícias” e “Diário de Lisboa”, na minha aprendizagem da escrita e da leitura. Perante isto, só posso lamentar que uma parte significativa desta gente que trabalha atualmente nos média, com mais estudos do que os seus antecessores na generalidade jamais tiveram, faça um trabalho que no geral é muito mau. Mau na escrita, mau na oralidade, mau na ideologia que transmitem, mau na apresentação, mau na leviandade com que falam e por aí adiante.

Por fim, mas não por último, uma palavra de homenagem ao nosso homem do tiro, tal qual James Bond português, que conseguiu esse feito fantástico de, nestes jogos de 2012, ficar em sétimo lugar.

Não gostaríamos todos que este retângulo fosse o sétimo país mais desenvolvido do mundo?

PS: Boa sorte a todos os atletas olímpicos que representam Portugal. Representem o país com dignidade e orgulho. Se vier alguma coisa a mais é bem vinda, apenas e só.

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