Geral

Vamos falar de impostos

Este é um “post” que não gostaria nunca de ter escrito. Por uma razão simples, os impostos deveriam ser um imperativo social. De quem os paga, de quem os usa e da forma como são aplicados.

Vou ao restaurante almoçar com a minha cara metade e pagamos 25€, mais 23% de IVA. Se não me falham as contas pagamos mais 5,75€ de imposto. Ou seja, numa refeição onde a quem tudo nela investiu dou 25€, depois tenho que deixar mais 5,75€, para uma entidade com a qual cada vez menos me identifico e  que, muitas vezes associo como sendo gerida por um bando de malfeitores. Se noutro local gastarmos 250€, pagamos mais 57,5€. Agora pensemos que se gastam 2 500€ numa outra qualquer coisa: acresce 575€ de imposto. Imaginemos que gastamos 25 000€, sei lá em quê. Vamos pagar mais 5750€ de imposto. Repito, em 25 000€, pagamos mais cinco mil setecentos e cinquenta euros.

A minha indignação não vem pelo facto de pagarmos estas taxas. Seria normal que tal  fizessemos. A minha revolta vem da forma como são utilizados os nossos impostos.

Como nem sempre ando a dormir, sei muito bem por onde vão os nossos impostos:

Para se fazer mais uma via de autoestrada, completamente desnecessária, bem podemos ver no acrescento, por exemplo, de mais uma via em cada sentido que fizeram na autoestrada, depois das portagens de Coina e que passa bem perto de nós, aqui em Setúbal. Três vias em cada sentido para quê?

Para a brigada do rissol, do croquete e das flores. Mais uma festa mais uma rodada.

Para a BRISA, EDP, fundações disto e daquilo, dá cá mais algum ó meu, as p.p.p. porque sim e porque me apetece, etc.

Para a grande festa que segundo a antiga ministra da educação (educação?), se fez durante o consulado de Sócrates. Decerto que foi uma festa de adolescentes, pois quem as paga (os pais), não pode sequer lá entrar. Aqui poderíamos recuar às inúmeras “festas” realizadas por governos anteriores.

Para os que mandam terem direito a carros, cartões de crédito, despesas de representação, etc. etc., sempre disponíveis, não só para eles o que já seria excessivo, mas também para serem utilizados pelas famílias, amigos, amantes e mais o que houver.

Para alguns terem direito à reforma após menos de uma dezena de anos de trabalho. Exemplos: as duas primeiras figuras do nosso país.

Para o BPN, exemplo máximo da mentalidade portuguesa e que é visível todos os dias nos noticiários: privatizar os lucros e socializar os prejuízos.

Enfim, para todos aqueles que menos precisam. Concedo que uma parte, pequena parte, vai para a população em geral.

Gostava de viver num país em que os impostos fossem proporcionais àquilo que se ganha, respeitando aqueles que, para além de ganharem, redistribuem a riqueza que foram capazes de fazer. Estou convicto que muitos de nós poderiamos pagar mais, para mal da nossa carteira e para bem do nosso país. Exigindo também que uma parte dos nossos impostos fossem geridos por discussão popular: para onde vão, porque vão e como são aplicados.

Infelizmente, vivo num país em que os impostos crescem de forma absurda, são já um confisco, um roubo, para alguns tirarem deles bom proveito.

Reparem, pagamos cada vez mais e na mesma proporção tiram ao serviço nacional de saúde, ao ensino público.  A justiça move-se a passo de caracol, a maioria das nossas estradas estão piores, tirando claro as que são pagas. A segurança pública foi rebatizada para insegurança pública e agora ficamos a saber que os prudutos de consumo imediato, como a carne, o leite, os ovos, o peixe, já não são fiscalizados antes de serem vendidos.  Milhares de exemplos se poderia dar. Enfim, se tudo o que vamos sabendo é tão mau, imaginem aquilo do qual não temos conhecimento.

Depois vemos que, à medida que os impostos sobem, cada vez mais, a receita que eles trazem é menor. Porquê? Sem dúvida que existe muita falta de cidadania na fuga aos impostos. Infelizmente, cada vez mais o problema não é de cidadania mas de sobrevivência, de estar contra, de resistir e de bom senso, seja lá isso o que for.

Peço desculpa a todos os que estão a ler esta crónica, não pelo que escrevi, mas por aquilo que não disse, pois não consegui sequer abordar um milésimo daquilo que deveria ter sido tratado.

Uma coisa espero ter sido bem claro, o problema não está só no valor dos impostos que pagamos. Está essencialmente na forma como o nosso dinheiro é mal gasto e em demasiados casos usado de forma indigna.

E depois o absurdo de tudo isto. Os que mais têm, os mais ricos, os que mais usufruem com as taxas que a população paga, são os que mais podem fugir ao pagamento dos impostos, quase sempre de forma legal … claro.

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