Política

Não nos reformem mais

José Luís Arnaut, apontado como um dos mais destacados pontas de lança da linha Barrosista do PSD, citado, este fim-de-semana, pelo Expresso, defende com unhas e dentes Miguel Relvas, quem sabe seu patrono na nomeação para o sempre interessante cargo de administrador da REN.

Mais à frente no mesmo jornal, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, por entre avulsos elogios, desvia as atenções ao explicar que Relvas não foi escolhido para ministro por ser licenciado, ignorando o essencial, que é saber se quem exerce cargos políticos pode, ou não, sustentar a sua credibilidade política em licenciaturas obscuras e na distorção da verdade. Bill Clinton, por histórias de charutos e nódoas em vestidos de jovens estagiárias que negou até poder, o que, convenhamos, é muito menos importante do que a obtenção de uma licenciatura de forma enviesada, esteve à beira de perder o mandato de presidente dos EUA…

Cito de memória, mas dizia Arnaut  em defesa de Relvas qualquer coisa como “este Governo tem tido a coragem de lançar importantes reformas para o país” que, supostamente, têm o condão de resolver todos os nossos problemas, embora o que se veja por estes dias seja exatamente o contrário. Reformas que, claro, têm sempre o dedo, ou a mão toda, do doutor Relvas em ciências políticas e outras que andamos por estes dias a descobrir.

A verdade é que não me lembro de nenhum Governo, sempre dos partidos do que pomposamente se chama o “arco governativo”, não ter lançado vastas “reformas” sempre apresentadas como a solução para os nossos problemas. Infelizmente, continuo sem perceber como é que, com tantos e vastos programas de “reformas” a que temos sido sistematicamente submetidos, estejamos, hoje, no estado em que estamos.

Foram as “reformas” de Cavaco Silva, que venderam ao preço da chuva os mais importantes setores produtivos nacionais a troco do dinheiro fácil da União Europeia, as reformas de Sócrates que agravaram a espiral de perda de direitos dos trabalhadores portugueses, e agora as reformas de Passos Coelho, que afunilam ainda mais esta espiral e acabam de alienar todos os setores do Estado a estrangeiros, certamente bem-intencionados, no que ao seu dinheiro diz respeito, claro.

Relvas, claro, ficará para a pequena história como o pioneiro da reforma do ensino superior, protagonizada pelos donos da Universidade Lusófona, que lhe garantiu o diploma mais rápido de sempre da vida académica portuguesa. Há que reconhecer que foi uma grande reforma, em particular porque reconhece a qualquer um que tenha passado por cargos políticos a faculdade de ser doutor nestas ciências.

Poupem-nos, pois, a mais “reformas” daquelas que nos tiram salários e direitos sociais, fecham escolas e centros de saúde, lançam milhares de professores no desemprego, promovem de novo a emigração, oferecem quatro euros a enfermeiros, castigam funcionários públicos, entretanto transformados no bode expiatório de todas as asneiras cometidas por PS e PSD nestes anos todos de “arco governativo”; reformas que castigam os pobres por serem pobres, que aumentam o desemprego e reduzem a receita fiscal.

Reformas destas não precisamos.

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