economia, Internacional

A Lavagem de dinheiro e os Paraísos Fiscais

De acordo com as cifras do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da ONU, são lavados(branqueados) anualmente mais de 600 biliões de dólares arrecadados pelo crime organizado em todo o mundo e estas operações ocorrem sob a anuência do sistema bancário legal.

A concentração do poder dos bancos é tal que apenas 20 dos maiores bancos do mundo têm a seu cargo 75% das transações financeiras dos Estados Unidos, França e Inglaterra. A esta realidade deve-se somar que os EUA não contam com um Banco Central real, mas que o dito Banco é uma empresa privada formada por grandes bancos dos Estados Unidos.

Um famoso lavador, Kenneth Rijock, decidiu escrever um livro autobiográfico onde explica muito bem como se fazem as operações de lavagem. A sua “redenção” deveu-se ao facto de ter sido preso e condenado, tendo também ficado impossibilitado de exercer advocacia. Colaborou com a polícia, pagou 2 anos de cadeia e tornou-se um consultor respeitável sobre estes assuntos.

Os paraísos fiscais são cada vez mais difíceis de perseguir e controlar, com consequências a cada dia mais incalculáveis.

A evasão aos impostos dos rendimentos mais altos e das grandes empresas resulta num negócio muito lucrativo.

Embora comece a estar fora de moda falar do neoliberalismo e das suas tantas falácias, a desregulamentação do sistema económico, financeiro e comercial tem-se vindo a acentuar. E como este fenómeno cai maravilhosamente bem aos políticos, empresários e criminosos, os requisitos que os organismos internacionais lhes propõem como limite são tão formais e costumam ficar nas listas paraísos de tão pouca relevância, que dá trabalho acreditar que as actividades de lavagem e evasão se resumam a paraísos fiscais como por exemplo a Ilha de Malta na Europa ou as Bermudas no meio do Atlântico. Acontece que estes paraísos são o nicho no qual comparecem quaisquer políticos que desta forma protegem da luz pública os seus sumptuosos dividendos, tornando políticos …milionários…e corruptos.

Num contexto de crise, com um sistema monetário global sobrecarregado com a circulação de capitais, onde as moedas catalogadas como “fortes” (euro, dólar) não têm referências além das comparações entre si mesmas ou, em todo caso, a sua representação virtual em bits, a generalização de práticas de lavagem de dinheiro e evasão de impostos, com a sobrevivência dos paraísos fiscais, denota um panorama de insegurança financeira, económica e comercial que, contudo, não deixa de lesar gravemente os países e os povos que acabaram por ser levados para a crise sistémica que assola o mundo.

Uma das complexidades das operações de lavagem de dinheiro e dos paraísos fiscais no sistema económico comercial actual é a presença de uma mais-valia virtual a partir de um lucro virtual, que se produz na esfera da circulação e não, como refletiram os clássicos, aquela mais-valia real, originada na riqueza da produção (e à custa da exploração do trabalho). Esta chamada mais-valia virtual produz-se, essencialmente, na esfera da circulação e é, precisamente nesta, onde entram em jogo os dividendos obtidos pelo negócio ilícito das drogas e de outros delitos interligados, os quais têm necessidade de serem lavados para poderem entrar em circulação.

Neste complexo entrelaçado, entram em acção, como outro dos elementos prejudiciais que costumam procurar os paraísos fiscais, os chamados Capitais Andorinha, caracterizados pela instabilidade da permanência do capital num lugar. Consistem em depósitos de capital efémeros, ou seja, que se condicionam em curto prazo e com rendimentos muito variáveis, outorgando-lhe maiores possibilidades de mobilidade. Estes capitais viajam para os países ou regiões onde podem obter maiores lucros, de forma conjuntural, para depois se dirigirem a outros que lhes ofereçam melhores condições. Desta maneira, se assegura o não comprometimento com o destino dos países onde fizeram depósitos nem com as consequências que acarreta para os mesmos as características de suas atividades.

Neste sentido, os capitais andorinha podem ser compreendidos como uma das tantas expressões negativas da globalização neoliberal da economia. Com isso percebe-se como o investimento estrangeiro que, sem condicionamentos nem regulações financeiras e jurídicas que protejam os países onde se realizam, podem beneficiar os interesses privados sobre o interesse nacional. Estes depósitos que raramente chegam à dita economia real, ao sector produtivo, destinam-se à obtenção de grandes lucros e mudam-se logo lhes sejam oferecidas maiores vantagens com óbvios inconvenientes para a moeda local.

Definitivamente os bancos, a elite empresarial, “aposta” com o dinheiro de todos, beneficiando-se em todo o processo da lavagem de dinheiro procedente do crime organizado, particularmente o relacionado com o tráfico ilícito de drogas e o terrorismo internacional.

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3 thoughts on “A Lavagem de dinheiro e os Paraísos Fiscais

  1. Cara Amiga,
    O artigo tem muito interesse! Dito isto gostaria de dizer que o número indicado como 600 bilhões deixa dúvidas. Em português diz-se biliões e não bilhões. Em segundo lugar, em Portugal, a norma seguida é a seguinte: 1 milhão são mil milhares (10 à sexta potência). A seguir virá o “milhar de milhões” (10 à nona) (que para os americanos é um bilião). A seguir, em Portugal, virá o milhão de milhões que é, esse sim, o “bilião”. Por exemplo: a despesa militar anual dos EUA anda pelos 700 mil milhões de US$ (valor de 2011). Tendo em conta este montante, fica a dúvida se os referidos “600 bilhões de dólares” são 600 biliões ou 600 mil milhões. Inclino-me para que sejam 600 biliões, isto é, 600 milhões de milhões. Mas não estou certo.

    Abraço.

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    • Anita Vilar diz:

      Fui ver o artigo de onde retirei o número do FMI e são, de facto, bilões, isto é, mil milhões de dólares.

      Muito grata pela chamada de atenção.

      Anita Vilar

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      • Frederico Carvalho diz:

        Cara Amiga,

        Obrigado pela resposta! Apenas acrescento que se se trata de facto de biliões “à americana”, então o artigo deverá dizer 600 mil milhões de dólares e não “biliões” de dólares. Caso contrário, na nomenclatura oficial em Portugal, o que lá está seriam 600 milhões de milhões de dólares.

        Desculpe o reparo.

        Abraço.

        Frederico Carvalho

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