Geral

Exce(P)cional

Outra palavra amada pelo nosso Portugal é a palavra exceção, até há pouco tempo escrita excePção. No meu dicionário vem quase sempre associada à palavra corrupção.

Vivendo neste re(c)tângulo já lá vai mais de meio século, acredito absolutamente que todos aqueles que lucraram ilegalmente ao abrigo desta palavra serão absolvidos porque esta entretanto mudou de ortografia, portanto todos os que viveram até agora à conta de excePções, nunca podem ser condenados pelas exceções que beneficiaram, já que falta o pê.

Exce(p)ção, soa-me mal a falta do P, é uma palavra aplicada a todos os seres excePcionais. No nosso país, tais indivíduos são a maioria daqueles que detêm o poder. Mesmo que não passem de um bocado de esterco, são excecionais. Pensando bem, têm razão. Um pedaço de esterco que se move por vontade própria é um esterco excecional.

Esse poder pode manifestar-se de forma dire(c)ta pelo próprio que o detém ou de forma indire(c)ta por todos aqueles que estão num determinado momento protegidos pelos detentores do poder, a saber: filhos, esposas, amantes, pais, padrinhos, cunhados, sogros, etc. O etc. pode até estender-se aos primos a estagiar na China.

Vamos encontrar exceções em todas as àreas da nossa sociedade, por vezes até descredibilizando as exceções que existem de verdade. Todos nós conhecemos exceções e seres excecionais. Agora parece que apareceu mais um a tirar um curso inteiro apenas num ano e concluindo uma só disciplina. Afinal, as novas oportunidades foram criticadas até pelos que delas usufruíram. Tudo dentro da legalidade claro, porque a exceção não abre mão da lei e da legalidade. Limita-se a – qual carro da PSP estacionado em cima do passeio, impelindo os peões para o asfalto – ser uma exceção.

No nosso país, as exceções podem ser divididas em duas componentes:

1) as que moem mas não matam.

2) as que vão matando o país.

Dentro do primeiro enunciado, temos todo o tipo de ilegalidades que vão desgastando o cidadão (perdão, contribuinte) e que vão sendo pagas em termos da saúde psíquica e física deste: poluição sonora, poluição ambiental, destruição do património histórico e ambiental, falta de civismo, entre tantos outros.

No segundo ponto, temos as exceções que destroem a economia do país. Fundações, reformas ao fim de 8 anos, bancos nacionalizados à conta do Zé, parcerias público-privadas, escritórios de advogados e tantos, tantos eteceteras. Tudo isto dentro da maior legalidade claro. Desde que o dinheiro dos contribuintes seja bem aplicado, ou seja, na construção ou consolidação de fortunas dos filhos do poder.

Por vezes, nem isso, apenas serve para mostrarem à família e aos amigos o novo carrão, a magnífica casa, o colégio dos meninos, as festas inconsequentes feitas para tantos outros que, tal como eles, querem apenas viver na crista da onda. E com isso se vai uma parte do dinheiro dos contribuintes, menor em relação ao grande bolo, mas significativa e moralmente destruidora da coesão social.

Se alguém pensar em contar as exceções, provavelmente chegará à conclusão que estas serão em maior número do que as normas. Uma coisa não será excePcional, para este regime. Está podre de corrupção e quando cair, porque vai cair, poucos serão aqueles que acorrerão em sua defesa. Tirando os tansos, apenas e só aqueles que irão cair com ele.

Reflitam apenas nos últimos 100 anos da nossa História. A monarquia caiu, a primeira república caiu, o estado novo caiu. Quem saiu à rua para os defender? Porque é que não sairam? Porque é que tão poucos tentaram defender esses regimes passados?

Mas nem esses podemos desprezar, pois qual fénix renascida, afinal, viremos a saber que sempre estiveram contra … mas como eram uma excePção …

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