Educação, Política

E a Educação, Senhor Matemático?

Quando Nuno Crato surgiu como Ministro da Educação, ouviram-se vozes optimistas sobre o futuro da educação. Ilusões que se esboroaram rapidamente, pois alguém, seja lá quem for, que aceite fazer parte de um governo destes numa altura destas, está disponível para pôr em prática a sua política, como de resto, a realidade está a comprovar.

Podem mudar os ministros, mas as políticas deste governo não mudarão, só porque assim o deseja um simples ministro.

 Nuno Crato julgaria outra coisa? O homem inteligente que é ter-se-á julgado acima das troikas? Com a sua varinha de condão matemática ia reverter uma política desastrosa de destruição da Escola Pública?

Confesso que nunca acreditei nesta visão de cavaleiro andante, qual D. Quixote, a remar contra a maré.

Seja como for, a realidade mostra o que Nuno Crato defende para o presente e o futuro do País.

A redução prevista do investimento para a Educação coloca-a no nível mais baixo do conjunto dos países da União Europeia (3,8 por cento do PIB), cujas consequências se farão sentir já no próximo mês de Julho com o despedimento de milhares de docentes, agravando ainda mais a taxa de desemprego entre este grupo profissional (segundo dados oficiais, aumentou 60% entre os professores do Básico e 137,1% entre os do Secundário e Superior).

 Irá igualmente por diante o corte de um conjunto de actividades de apoio aos alunos e à actividade lectiva que os orçamentos das escolas não podem suportar.

A reorganização curricular não é mais do que um ajustamento curricular aos cortes orçamentais impostos pela troika, com a qual o Governo sustenta o despedimento de milhares de professores, coloca muitos outros em mobilidade especial e empobrece o papel da escola, degrada a qualidade pedagógica e ataca os direitos dos estudantes.

Estes Direitos não serão garantidos nas propostas de alteração ao Estatuto do Aluno. Pelo contrário, estas apostam ainda mais no seu vector disciplinar e autoritário.

O aumento do número de alunos por turma, medida tomada num contexto já complexo com uma situação insustentável de sobrelotação de muitas escolas e consequentemente das turmas, não deixará de ter consequências no processo pedagógico, no insucesso e no ambiente escolar.

A imposição de mega-agrupamentos com milhares de alunos vai contribuir para a desumanização da vida das escolas, pôr fim a uma gestão de proximidade e promover a indisciplina e o insucesso escolares.

As alterações ao modelo de gestão, o encerramento de centenas de cursos de formação e educação e o despacho governamental sobre organização do ano lectivo sem a obrigatória negociação com os sindicatos são outras peças desta política.

Os professores, porém, estão vigilantes e em luta.

Para além de outras iniciativas, os professores vão manifestar-se no dia 12 de Julho, numa grande manifestação nacional de repúdio e censura à politica do governo que é gravosa para docentes e alunos, pondo em causa também a escola inclusiva e o futuro dos alunos com necessidades especiais.

Esta destruição da Escola Pública compromete, afinal, a educação para todos que a Constituição Portuguesa prevê e que é a única capaz de projectar o País para um futuro de desenvolvimento económico e de justiça social que permita a todos, e não só a alguns, ter acesso a um direito humano fundamental, bem tão necessário como o pão de cada dia.

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