Ao longo destas intermináveis semanas que leva o campeonato, temos sido bombardeados, pelas mais espatafúrdias frases, comparações, ideias, conclusões, etc. Os meios de comunicação, qual ventosa gigante, tudo sugam do acontecimento, até mais nada restar. Como um vampiro que acaba por matar a sua vítima depois de lhe chupar todo o sangue. Penso que no limite conseguem até pôr contra o futebol quem dele gosta …
A mais aberrante de todas as frases feitas e também a mais perigosa é medir-se o nível de patriotismo de cada português, pelo apoio que concede à seleção. Gosto muito da seleção, gosto que ganhem, mas algum tempo depois de terminados os jogos, finda a emoção. O outro dia é dia de trabalho e não vejo a vida de ninguém mudar por causa da seleção ganhar ou perder, tirando claro, aqueles que daquilo vivem. Não nos vão devolver o dinheiro do subsídio de férias e o dinheiro dos cortes do ordenado, seja qual for o resultado. Concedo que iremos um pouco mais bem dispostos no outro dia para o trabalho quando a seleção ganha, mas até isso, pode ser sol de pouca dura.
O patriotismo de cada um de nós não passa por gritar mais e mais alto alto, do que o vizinho, por cada golo marcado, por nos flagelarmos por cada golo sofrido, por irmos buzinar para a rua ou insuflar a vuvuzela, após cada vitória da seleção. Respeito as bandeiras nas varandas e janelas, as bandeiras nos carros, mas qualquer semelhança entre esse ato e patriotismo é pura coincidência.
Hoje, pelos omnipresentes “media” será mas um dia D. Vejamos dois exemplos da linguagem veiculada. A utilizada por um dos craques da seleção para consumo público: “vamos lutar até à morte pela vitória”. Lutar até à morte? De quem? A dele não será decerto. Neste dia do jogo, logo pela manhã, um comentador por sinal até bastante equilibrado, falava de fazermos do dia de hoje uma nova Aljubarrota.
O que se pretende com toda esta carga emocional, senão afastar o nosso povo dos seus reais problemas? Entre futebóis, fados e fátimas, lá vamos empurrando para a frente, com a barriga, as nossas maleitas.
O povo português deveria estar seriamente preocupado, sim, mas … com o estado das nossas meias.