Media, Política

Mais depressa se apanha um mentiroso…

Ainda a propósito do episódio que envolveu o ministro Miguel Relvas e o jornal “Público”, vale a pena olhar para a deliberação do Conselho Regulador da ERC apenas para confirmar o velho ditado que envolve mentirosos e coxos, ainda que seja também forçoso reconhecer que seria muito difícil provar alegadas pressões do ministro sobre uma jornalista deste jornal, a quem a ERC não dá como provada que tenha sido feita pelo governante a ameaça de divulgação de informações sobre a sua vida privada na internet.

O importante acaba por ser, mais do que as alegadas pressões, o carácter daquele que é considerado o ministro mais importante do governo de Passos Coelho. E, em matéria de falta de rigor e verdade, não há coxo que lhe ganhe a corrida.

É fundamental que conheçamos quem nos governa. Se há falhas de carácter que são absolutamente irrelevantes num governante, a falta de rigor e verdade no que se afirma e no que se pratica é uma daquelas falhas que não pode ter perdão. Por esta, e por outras, Relvas já se deveria ter demitido há muito tempo.

Leiam-se, então, os seguintes parágrafos numerados da deliberação da ERC para ver quem leva, sem margem para dúvidas, a dianteira na corrida:

104. A editora [do “Público”] interpretou os telefonemas [de Relvas] “como tentativas de condicionamento”, porque “vieram imediatamente a seguir às perguntas” de Maria José Oliveira.

 105. Questionado sobre este segundo telefonema, o ministro Miguel Relvas negou na ERC, e depois por escrito, que este tenha ocorrido, bem como que tenha dirigido tais ameaças e feito tais comentários.

(…)

 107. Por, mais tarde, a editora de Política ter remetido documento facultado pelo seu operador de telecomunicações com o registo de todas as comunicações telefónicas havidas no dia 16 de maio, a fim de comprovar que falara duas vezes a Miguel Relvas nesse dia – uma às 16h05, com a duração de 1m45s, e outra às 18h03, com a duração de 2m44s -, entendeu-se inquirir, por escrito, o governante acerca deste aspeto concreto, identificando o número de telemóvel que Leonete Botelho indicava como sendo o seu.

 108. Em 12 de junho, o ministro, embora reiterando as declarações anteriormente prestadas, acrescentou porém não conseguir precisar “a esta distância o número de vezes que falei com a editora de política nesse dia”.

 109. Ao que foi possível apurar pela ERC, o segundo telefonema não foi presenciado por quaisquer testemunhas, nem da parte da editora de Política, nem da parte do ministro. Na verdade, a primeira esclareceu que estava sozinha naquele momento, sendo que só quando reproduziu o conteúdo do telefonema a Maria José Oliveira é que contou com a presença de mais pessoas.

(…)

 116. Uma vez que, em duas ocasiões, Miguel Relvas desmentiu que manteve uma segunda conversa telefónica com a editora de Política na tarde de 16 de maio, foram-lhe remetidos os elementos aparentemente comprovativos dessa chamada telefónica. Em resposta, o ministro não contestou que o número indicado lhe pertencia e, em relação aos seus anteriores testemunhos, veio referir que, afinal, não poderia precisar quantas vezes falara com a editora de Política naquele dia.

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