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Histórias pequenas…de gente grande

Há pessoas que nos marcam para todo o sempre… ainda que desapareçam dos nossos olhos. Elas estão sempre presentes porque preencheram a nossa existência de uma forma tão forte e distinta que somos responsáveis por mantê-las vivas na nossa memória e em todos os que nos são próximos.

Eu ainda pertenço a essa geração que teve a sorte de crescer com a avó por perto e, muitas das memórias que completam a fantasia dos meus tempos de infância, cruzam-se com os bons momentos vividos e compartilhados com um ser muito peculiar e fora do comum… que estava sempre presente quando dela necessitava.

A avó Luísa era uma mulher simples e sensível. De tudo, o que ela mais gostava era da natureza, – as suas raízes eram oriundas do meio rural – e em tudo o que tocava, transformava, como se se tratasse de algo único, que de tão belo, enfeitiçava, seduzia, fascinava. As suas mãos eram umas “mãos de fada”. Como eu gostava dela.

Não era em nada igual à maioria das mulheres do seu tempo, que se mantinham em casa, sentadas, a fazer malha, obedientes ou a tratar da cozinha; em vez da agulha ou dos tachos, ela preferia um martelo, um serrote, uma pá ou um bom negócio, e eu conheci-lhe tantos…

Cada ano civil formava como que um ciclo perfeito em termos de desenvolvimento das várias actividades comerciais, todas elas distintas e diversificadas, de acordo com os meses do ano e em sintonia com as principais e tradicionais festas nacionais.

Desde a venda de galinhas e coelhos, durante todo o ano, à palha no Verão, (utilizada para encher colchões, depois de desfiada, – os de molas eram muito caros – que eram postos sobre os enxergões que, por sua vez, assentavam num estrado de madeira, o que dava mais firmeza e estabilidade à cama) bem como à venda de melões e melancias, às mobílias (em segunda mão, após restauro) e às filhoses com recheio de batata-doce, ou aos coscorões, no Natal, tudo servia para suprir as grandes faltas económicas de então.

Tenho saudades desta mulher, pura, indomável, especial!

Graças a ela ainda mantenho intacta a capacidade de me deixar maravilhar ou, como dizia o poeta, “Saber ter o pasmo essencial/Que tem uma criança”, num mundo cada vez mais materialista, onde a lógica e o imediato conquistam pontos, em detrimento do sonho e da fantasia…

Já não há avós, como havia outrora, ou estou enganado?

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Nota: Esta avó Luísa, foi minha avó por afinidade.

Só não se escolhe a família, tudo o mais é da nossa inteira responsabilidade.

Parte do texto, aqui apresentado, é da autoria de uma das suas netas que também a adorava. Este post deve ser entendido como um agradecimento sincero a todos os avós que, pela sua dedicação e amor aos netos, souberam contribuir para a formação de pessoas melhores, no plano moral, ético e social.

Uma proposta final: Leia, se assim entender, o post “Letras e Lágrimas”, de cinco de Janeiro de 2012, ou “Silêncios”, de nove de Janeiro do ano corrente, como complemento ao artigo actual. Ou será como contraponto?

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One thought on “Histórias pequenas…de gente grande

  1. Também eu tive uma avó por afinidade, mas foi ela que me escolheu, morreu tinha ei 7 anos, ainda hoje me lembro do almoco nos domingos de Páscoa. Gostava de partilhar, mas o FB nao deixa, diz que o URL está bloqueado, sendo assim vou copiar e levar para o meu mural.

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