economia, Internacional

As Palavras Necessárias?

Segundo a revista alemã Der Spiegel, Merkel e a sua chancelaria têm preparado um plano de 6 pontos para as transcendentais “reformas estruturais” para a Grécia e outros países altamente endividados da UE. Segundo a Der Spiegel, constituirá a base para as negociações na chamada “cimeira de crescimento” da UE em finais de Junho.

A mesma revista escreve que Angela Merkel aproveitará o pedido de uma política de crescimento do recém-eleito presidente francês François Hollande “aplicando o princípio dos competidores de judo: empregar o ímpeto do oponente para montar o seu próprio ataque”.

Se a Merkel conseguir impor o plano,  o “crescimento”  vai ser obtido inteiramente através da intensificação da exploração dos trabalhadores e não através de qualquer plano para o renascimento económico ou um aumento dos gastos sociais.

Ela supõe que Hollande se mostrará aberto a estas propostas uma vez que a cimeira terá lugar após as eleições parlamentares francesas de 17 de Junho e o novo presidente francês já não se verá limitado pelas opiniões dos votantes ou das suas próprias promessas eleitorais.

O Governo alemão vai esforçar-se por impor níveis de exploração semelhantes aos que existem actualmente na Europa Oriental e em paraísos asiáticos de mão-de-obra barata como China e Vietnam.

O plano de seis pontos elaborado pela chancelaria é incompatível com a soberania nacional ou a democracia. O periódico Tagesspiegel entrevistou  vários peritos económicos alemães que foram brutalmente francos na expressão dos seus pontos de vista sobre as perspectivas para a Grécia.

Thomas Straubhaar, director do Instituto de Economia Internacional de Hamburgo, pediu que se estabelecesse um “protectorado europeu” sobre a Grécia. Disse que qualquer que seja o resultado das próximas eleições de 17 de Junho na Grécia, o país continua a ser um “Estado fracassado” carente da força para começar de novo por sua própria conta”.

O facto de que este termo seja recuperado no vocabulário oficial revela as intenções dos círculos governamentais da Alemanha e Europa. O debate sobre zonas económicas especiais e protectorados tem lugar ante o pano de fundo de uma crise económica que se agrava.

Como resultado do programa de austeridade imposto pela Troika –UE, FMI e  BCE – a economia grega encontra-se  em queda livre. O país está agora no seu quinto ano de recessão. Pequenas e médias empresas entram em falência. Só este ano, a associação empresarial espera o encerramento de 61.000 empresas, eliminando 240.000 postos de trabalho. A indústria do turismo, que representa um de cada cinco postos de trabalho, sofreu una baixa de 45% no ano passado. A fome instalou-se, as farmácias já não vendem medicamentos senão pagos integralmente pelos doentes, os suicídios continuam, já não há respostas em termos de serviços de saúde e a educação está toda estilhaçada, mas os desígnios do grande capital mantêm-se intactos.

A Grécia é o exemplo claro do que irá enfrentar a classe trabalhadora em toda Europa. As estructuras democráticas estão a colapsar e os representantes da elite financeira e corporativa defendem o seu domínio mediante intermináveis ataques  a salários, empregos e programas sociais.

Passos Coelho e os seus sequazes deixaram isso bem expresso quando fazem afirmações tais como: “Foram feitas reformas estruturais claríssimas, a nossa prioridade é acelerar o ritmo de execução das reformas estruturais, mas não disse o que a Comissão Europeia lhe recomendou que essas reformas incidam nos mercados de trabalho tendo em vista a sua redução de custos. Assim, o Borges veio dizer a verdade, verdadinha, quando referiu a urgência de baixar os salários.

Mas eles sabem  bem que essas reformas estruturais só as poderão levar a cabo se os trabalhadores e o povo permitirem. Assim, Passos referiu a necessidade da mobilização de cada vez mais portugueses “para o desígnio dessas transformações”, isto é, embarcarem Portugal no Titanic do XXI.

E, então, misturou perversamente amor ao próximo e amor à Pátria, espirito de sacrifício dos portugueses com as reformas estruturais que serão muito gravosas para os que trabalham em Portugal tal como o estão a ser para o povo grego, espanhol, italiano e povos dos países do leste europeu de que não se fala entre nós.

Passos Coelho quando fala em “reformas estruturais” pretende implantar a mais feroz exploração dos trabalhadores com a espoliação dos seus direitos laborais e sociais, reduzir ao mínimo os apoios sociais, aumentar a pobreza e a fome, as discriminações e as desigualdades económicas e sociais, tornando mais ricos os já muito ricos que colocam os seus dinheiros em países estrangeiros, em offshores e nada pagam pela crise que é, em última análise, uma criação e uma solução para o próprio capitalismo em crise.

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