Internacional

“A OUTRA AMÉRICA”

 

Hoje, apetece-me falar de outra coisa, porque sim!

Dei com uma outra imprensa a dar-nos conta do que foi por esse mundo a luta, a contestação e festejo do 1º de Maio.

Na Alemanha os trabalhadores mobilizaram-se para as 450 acções convocadas pela Confederação dos Sindicatos. A unidade e solidariedade de todos os trabalhadores da Europa é uma necessidade imperiosa face às políticas de austeridade que estão a ser impostas aos povos. Também na Alemanha a ofensiva destas políticas estão a ser causa de precariedade, desemprego e de empobrecimento dos trabalhadores e do povo.

 Nos EUA, onde o dia do trabalhador não é feriado, este foi assinalado em 120 cidades, facto de assinalar já que o movimento reivindicativo popular se encontra numa fase de recuperação e reconfiguração. Um grande número de estruturas representativas de trabalhadores, de defesa de direitos sociais, pacifistas e defensores da liberdade realizaram protestos em cidades como Chicago, Boston, Washington, São Francisco, Atlanta, Pittsburgh, Los Angeles e Nova Iorque, entre muitas outras.

 Neste país, a situação de pobreza foi classificada pela embaixadora dos EUA na ONU de “ situação trágica nacional”. O Professor de Princetown, Cornel West referiu a pobreza nos EUA como “moralmente obscena”.

 Os números falam por si:

– 46, 5 milhões de pobres no ano de 2010, o número mais alto desde que os dados começaram a ser recolhidos em 1959.

– Um em cada seis americanos vive na pobreza  e muitos destes são pessoas acima dos 65 anos que gastam muito com os tratamentos médicos

– 1,4 milhão de famílias vivem com menos de 2 dólares por dia e 866 mil vivem com menos de 1 dólar por dia. ( O Banco Mundial define pobreza extrema viver com menos de 1 dólar por dia e pobreza moderada viver com 1 a 2 dólares por dia)

– 2,8 milhões de crianças são pobres

– 3,2 milhões de americanos são mantidos acima da linha da pobreza como resultado dos efeitos seguro-desemprego, beneficio transitório o que em breve irão aumentar as estatísticas de pobreza.

– A taxa de pobreza é mais alta entre negros – 27,5%  e hispânicos – 26,6% do que entre brancos – 9%

– A taxa de pobreza entre crianças negras chega a 39%, mais 3 vezes do que a registada entre crianças brancas – 12,4%.

– Desde que a crise começou em 2007, cerca de 30 milhões estão desempregados ou sub-empregados.

Contudo, os executivos foram brindados com aumentos dos 27% a 40%, em 2010. Os executivos mais bem pagos receberam valores que chegaram a mais de 145 milhões de dólares enquanto os salários de todos os outros trabalhadores foram reduzidos ou estagnaram nesse período e os rendimentos de cada cidadão não conseguem acompanhar o ritmo de crescimento das taxas inflacionárias.

Esse contexto de ampliação do abismo entre os mais ricos e os mais pobres intensifica-se justamente no momento em que movimentos como o Occupy Wall Street contestam a configuração e os excessos do sistema financeiro mundial.

Para se ter uma idéia da dimensão da desigualdade social nos EUA, o último índice Gini calculado para o país coloca seu cenário socio-económico no mesmo patamar que o de Uganda, uma das nações mais pobres do mundo.

A desigualdade afecta dois terços da sociedade norte-americana que vê a sua fatia no bolo diminuir, o padrão de vida descer, enquanto os que estão no topo vão sempre melhorando.

O facto é que os salários reais têm estado a cair durante os últimos 30 anos quando os capitalistas introduzem novas tecnologias, aceleram ritmos de trabalho e forçam milhões de trabalhadores a trabalho em tempo parcial. A assistência do governo está a ser drasticamente cortada. A pobreza e o sofrimento são reais e crescentes.

A acumulação do capital num lado e a acumulação da miséria no outro.

Adam Smith escreveu: «que por cada homem rico haverá, pelo menos, 500 homens pobres e que sempre que há muita propriedade, há grande desigualdade e ainda que a propriedade de uns poucos presssupõe a indigência de muitos.»

Qual será hoje, em tempos de globalização, a percentagem de ricos para pobres?

Nos EUA 1%  de ricos… e 15% de pobres mais os tais dois terços que para lá caminham.

O aumento dos protestos nos EUA parece, no entanto, não incomodar a elite e seu governo de plantão. “A fome não está entre as prioridades das cúpulas políticas e econômicas deste país. Aparentemente, a segurança alimentar não é assunto considerado de segurança nacional”, conclui David Brooks. Diante da gravidade da situação, qual é a resposta do governo? Barack Obama propõe reduzir a assistência alimentar aos necessitados, promover mais cortes no gasto social e reduzir os impostos dos milionários. Para Brooks, esta conduta, que nega os compromissos de campanha do “democrata”, tem elevado o tom das críticas ao seu governo.

A revolta aumenta quando se observa a opulência dos ricaços e o aumento dos lucros das corporações empresariais em plena crise. Em 2010, os lucros empresariais cresceram a taxas mais aceleradas desde 1950, enquanto houve um recorde no número de pessoas que dependem da assistência federal para comer. Como já apontou o cineasta Michel Moore, os 400 estadunidenses mais ricos têm mais riqueza que a metade dos lares do país, enquanto 45% dos estadunidenses gastam um terço de sua renda em alimentos e uma a cada quatro crianças dorme com fome no país.

Mark Bittman, crítico de gastronomia do jornal New York Time, anunciou que se somaria ao jejum de uma semana com quatro mil pessoas por todo o país, com o propósito de chamar a atenção da opinião pública sobre as propostas de redução drástica dos programas de assistência aos pobres. “Os cortes para supostamente reduzir o déficit farão com que mais pessoas morram de fome e vivam miseravelmente”, explicou.

Assim é A Outra América, o país mais rico do mundo!

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