saúde

1 – Suicidio – causas e factores de risco

Quadro de E. Manet

O suicídio é um fenómeno bastante complexo, porque envolve múltiplos aspectos: emocionais, sociais, religiosos, culturais e filosóficos. Ainda é tratado como um tabu e, por isso, o seu próprio estudo, em termos científicos, foi feito muito tardiamente.

A morte é algo com que o ser humano não consegue lidar sem sofrimento. De resto, a busca da imortalidade tem sido uma constante e talvez seja o sonho maior na história da humanidade. E, neste século XXI, o sonho mantém-se, embora questões centrais em torno dessa imortalidade não sejam discutidas.

A morte voluntária e programada é percebida, em geral, como uma afronta à vida e causa sempre sentimentos de hostilidade, de culpabilidade, de angústia, senão mesmo de censura e de rejeição, no seio familiar, dos amigos e da sociedade, em geral.

Todas as religiões consideram o suicídio um acto condenável e algumas mesmo um pecado.

Só no século XX, em muitos países, o suicídio deixou de ser um crime que podia mesmo atingir a família de quem o cometera.

Embora o suicídio seja um acto profundamente individual e ligado ao direito de liberdade de decidir sobre a própria vida, o mesmo não pode ser desligado do contexto social onde ocorre. Hoje, é considerado um problema de saúde pública.

 Dados sobre suicídio no mundo

A cada ano, aproximadamente 1 milhão de pessoas do mundo inteiro cometem suicídio;

A cada 30-40 segundos, alguém morre tirando a própria vida;

A cada 20 tentativas de suicídio, uma é concretizada;

Desde 1965, o índice mundial de suicídios aumentou 60%.

 Dados sobre suicídio em Portugal

Os dados sobre o suicídio permanecem ainda muito pouco rigorosos.

Em 2001 duplicou o número de suicídios em Portugal, tendo passado de 600 por 100 mil habitantes para 1200.

Em 2010, os números referidos são de 1101, mas de acordo com os estudiosos esse número deverá elevar-se para 2204 se forem tidas em consideração o número de mortes violentas de causa indeterminada. Em geral, na UE a percentagem de mortes violentas indeterminadas perfazem 20% do total de suicídios; ou seja 2 casos anuais por 100 mil habitantes. Ora, verificou-se, em Portugal, que as mortes violentas indeterminadas foram mais de 100% dos suicídios e isto não é possível, portanto muitas dessas mortes correspondem a verdadeiros suicídios.

Tem aumentado o número de tentativas de suicídio nos adolescentes, nomeadamente, daqueles com famílias disfuncionais, das classes sociais mais baixas e associado a famílias com história de alcoolismo, toxicodependência ou abandono.

 Os dados nacionais apontam para 200 casos de suicídio por cada 100 mil jovens, sendo a 2ª causa de morte na adolescência.

A idade, nos homens que cometem suicídio, tem vindo a descer para os 55 anos, embora os dois grupos de risco, em termos de idade, continuem a ser os homens acima de 65 anos e os jovens dos 15 aos 30 anos.

Os distritos do Alentejo, Algarve e Lisboa são os que apresentam as taxas mais altas de suicídio.

Causas

O suicídio nunca tem uma única causa; em geral, há causas que se associam e que levam ao acto suicida.

 A causa última do suicídio é o sofrimento intolerável sentido e surge como a única alternativa inevitável para escapar a uma situação que também parece não ter fim. Assim, o comportamento suicida está associado à impossibilidade da pessoa encontrar soluções para os seus problemas psicológicos senão através da morte.

O suicídio afecta todas as pessoas sem distinção de “classe”. O meio cultural pode influenciar as taxas de suicídio. As crises económicas e sociais são causa de aumento das taxas de suicídio.

Estas são mais elevadas nas pessoas reformadas, desempregadas, viúvas, divorciadas, solteiras, sem filhos, urbanas, vivendo sozinhas.

Factores de Risco

 Perda de esperança persistente ao longo do tempo

Isolamento social

Solidão

Perda de estatuto socio-económico por desemprego, fracasso profissional ou falência financeira

Existência de Patologia Psiquiátrica, nomeadamente, de depressão e esquizofrenia

Consumo abusivo de álcool e drogas

Sensação de ser um fardo familiar ou social

A pobreza não é causa directa, mas é um grupo de risco por aumentar a tendência para depressão

Problemas familiares, divórcios, morte de familiar próximo

Nos jovens,o insucesso escolar, a perda de ano e rompimentos amorosos, infecção com HIV

Certas profissões tais como polícias, soldados, médicos e outros profissionais de saúde

Tentativas de suicídio anteriores

Existência de suicídios na família

Datas importantes e festivas

Os homens suicidam-se mais do que as mulheres; a razão pode ser porque aqueles utilizam métodos mais eficazes. O casamento é protector em relação aos homens, mas não é tão significativo em relação às mulheres.

A religião e a existência de filhos são factores protectores bem como altos níveis de coesão social e nacional.

 Um próximo post tratará a forma de ajudar as pessoas em risco de suicídio.

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