Cultura, Geral, Setúbal

“Setúbal após o Terramoto de 1755” – uma viagem no tempo

Quer conhecer como era a vila de Setúbal na época que sucedeu ao terramoto de 1755? Saber coisas tão básicas como o seu estatuto administrativo, o número de “vizinhos” ou os “frutos da terra que os moradores recolhem em maior abundância”, ou tão pitorescas como o funcionamento do seu sistema de correio ou da existência de águas de “especial qualidade”? Estas são apenas algumas das dezenas de questões a que os párocos das igrejas de Setúbal responderam em 1758, caracterizando as suas freguesias e relatando o respectivo estado após o terramoto.

Sob o título “Setúbal após o Terramoto de 1755”, em boa hora reeditou o Centro de Estudos Bocageanos as informações paroquiais de 1758, cuja primeira edição (e até agora única) Rogério Claro editara no já longínquo ano de 1957.

Perspectiva da villa de Setúbal, vista da Casa do Trapixe no sítio de Troia. De Teotónio Banha (1785-1853).

O texto apresentado respeita a ortografia da época e os escritos de cada pároco. A leitura destas informações paroquiais transporta-nos para uma vila então com quatro freguesias (São Sebastião, São Julião, Santa Maria da grássa, Nossa Senhora da Anunciada e, extramuros, Nossa Senhora da Ajuda) e que também incluía o sítio de Troia no seu termo.

Setúbal após o Terramoto de 1755” apresenta-nos pérolas de tão grande interesse historiográfico como a descrição dos conjuntos de muralhas medievais e seiscentistas (pós-restauração), os equipamentos sanitários e de assistência pública, as feiras, o porto de mar, a que se acrescentam inúmeros outras reportes de aspectos naturais e administrativos. Ficamos, por exemplo, a saber que “desta villa athe á de Alcacer a que chamão o Salgado se áchão quazi quinhentas marinhas em que se fabrica Sal, tanto da parte do Nórte, como da parte do Sul ao longo do mesmo rio (o Sado)”. Se houvesse fotografia na época, esta seria uma reportagem fotográfica.

Lê-se na Explicação que abre este trabalho que “(…) em 1721, a solicitação da Academia (Real de História), os párocos de todo o reino enviaram aos cabidos memórias relativas à sua freguesia, elaboradas em face de um questionário que lhes fora apresentado. Mas o terramoto de 1755 fê-las desaparecer todas, só escapando as do Bispado de Coimbra (…)”. O processo de recolha de elementos junto de abades, priores, curas, vigários e outras figuras da igreja viria a repetir-se em 1736. Abreviando, porque a estória está devidamente contada na obra agora reeditada, em 1758 o Padre Luís Cardoso dispunha já de abundante material que acabou por vir a ficar conservado na Torre do Tombo.

Um livrinho simples e despretensioso, cheio da mais rica informação!

Ficha técnica

Editor literário: Rogério Claro; Design  gráfico: Ricardo Fraga Pires; Editor Centro de Estudos Bocageanos; Depósito legal: 334612/11; ISBN: 200 exemplares; Impressão DIGITAL XXI – SOLUÇÕES GRÁFICAS. LDA

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