Geral, Internacional, Política

A guerra fria está a aquecer

GUERRA

Aturdidos e preocupados com a dimensão da crise que assola a Europa dos trabalhadores, em particular nos países mais débeis, os povos têm pouca capacidade para vislumbrar que poderemos estar em vésperas de uma terceira guerra mundial.

Enregelados e esmagados pelos enormes problemas pessoais e familiares, a generalidade dos portugueses, condicionados por uma comunicação social quase totalmente subordinada ao império neoliberal – mesmo quando ainda se julga livre e independente (?) – sublimam as suas mágoas na arena circense mais próxima: o crime de faca e alguidar, o caso do golo roubado, o novo traque do Alberto João, a sentença que estava para ser dada mas não foi, a estrela mediática abandonada pelo pai quando criança, ou, para gostos mais sofisticados de camadas evoluídas, o aquecimento global, a venda da EDP aos chineses (uns malandros!), o vaivém das bolsas e, até, o caso complicado da motorizada do ministro!

Consideradas doenças erradicadas das regiões onde habitam as populações ocidentais, habituámo-nos à ideia de que, isso da guerra e do fascismo, eram papões do passado: os valores intrinsecos da democracia, a União Europeia, a NATO, os EUA e o próprio S. Jorge, aí estariam para, no limite, enfrentarem tão excomungados dragões!

É certo que também se supunha que certas formas de exploração do trabalho assalariado tinham sido banidas da face dos países “modernos e desenvolvidos” e, afinal, estão aí de novo com uma sanha renovada contra direitos conquistados pela luta dos povos desde há cem anos. Mas, isso é só por causa da crise, dizem-nos os gurus do regime, acrescentando que a democracia e a paz, na Europa, ou lá por perto, esses, então, seriam valores intocáveis.

Mesmo sendo evidentes, tanto a crise dos valores democráticos na área europeia, como a realidade beligerante em que a Europa se tem vindo a envolver nos últimos vinte anos, os políticos dos partidos do “arco governamental”, os analistas e comentadores aboletados nos canais de televisão, para além de muitos outros lídimos representantes da vanguarda dirigente que, segundo o primeiro-ministro português, é constituída por “ descomplexados competitivos” em luta contra os “preguiçosos autocentrados”, desvalorizam o perigo de perda dos valores democráticos e a ameaça de guerra.

De facto, Obama não é parecido com o Hitler, Merkel não tem semelhanças com o Mussolini e o próprio Passos Coelho não usa botas. Quanto a isso estaremos de acordo. No entanto, as causas objectivas que têm levado à ocorrência de guerras regionais cada vez mais virulentas e, principalmente, a crise estrutural crescente o capitalismo, levaram inequivocamente o mundo até à beira do precipício, com todos os cabos d’ordens a gritar: um passo em frente!

Para o capitalismo o que “tem que ser” tem muita força. E nisso, o capitalismo e o lacrau são muito parecidos: picam o portador que os transportam sobre as águas, mesmo sabendo que vão ao fundo, só porque lhe está na matriz genética! Ou seja, se for necessário recorrer à “destruição criativa” da guerra, não hesitarão, até porque sabem que, se não o fizerem … perdem o controlo da situação (na sua perspectiva imperialista).

É por isso que o perigo ronda, dizem alguns analistas independentes, acrescentando que, no caso da “Terceira Guerra”, já teria começado a contagem decrescente!

Vejamos, como mero exemplo, algumas afirmações registadas numa recente entrevista dada por Michel Chossudovsky – professor na Universidade de Otava, Canadá, e autor do livro “World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War”- ,  a Sara Pinto, do Ionline:

– A preparação para a guerra (com o Irão) está a um nível muito elevado. Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada.

– Qualquer pessoa com um entendimento mínimo de planeamento militar sabe que este tipo de confronto entre superpotências – incluindo com o Irão, que é uma potência regional no Médio Oriente, com uma população de 80 milhões de pessoas – poderá levar-nos a uma guerra nuclear. E digo isto porque os EUA e os seus aliados implementaram as chamadas armas nucleares tácticas – mudaram o nome das bombas e dizem que são inofensivas para os civis, o que é uma grande mentira

– A NATO e os EUA militarizaram a sua fronteira com a Rússia e a Europa de Leste, com os chamados escudos de defesa antimíssil – todos esses mísseis estão apontados a cidades russas.

– Sei, porque ando a investigar este tema há muito tempo, que está a ser construída toda uma fortaleza militar à volta da China, no mar, na península da Coreia, e o país está cercado, pelo menos na sua fronteira a sul.

-A China não é a ameaça. Os EUA são a ameaça à segurança da China. Obama sublinhou, em declarações recentes que a China é uma ameaça no Pacífico. Uma ameaça a quê? A China é um país que nunca saiu das suas fronteiras em 2 mil anos.

– Quanto a isso não tenho dúvidas (se a colocação de mais tropas em torno da China iria trazer mais tensão à região), porque os EUA estão a aumentar a sua presença militar no Pacífico, no oceano Índico e estão a tentar ter o apoio das Filipinas e de outros países no Sudeste Asiático, como o Japão, a Coreia, Singapura, a Malásia (que durante muitos anos esteve reticente a juntar-se a esta aliança). Portanto, Washington está a formar uma extensão da NATO na região da Ásia-Pacífico, direccionada contra a China. Não há dúvidas quanto a isto. E não se vence uma guerra contra a China. Todos perdem.

– Estamos numa situação de Guerra Fria. Devo mencionar, porque é importante para a UE, que, no limite, os EUA, no que toca à sua postura financeira, bancária, militar e petrolífera, também estão a ameaçar a UE. Estão por trás da destabilização do sistema bancário europeu.

Caro leitor, sei que tem muitas e variadas preocupações a atormentá-lo e que este texto, se não for tomado como uma manobra de diversão, tem como único efeito aumentar a sua carga.

Mesmo assim prefiro que o leia.

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7 thoughts on “A guerra fria está a aquecer

    • Manuel Augusto Araujo diz:

      Agradecemos a sua colaboração e facça-o sff. quanto mais informação melhor, quando a comunicação social está praticamente toda ao serviço do poder dominante

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    • LVicente diz:

      Muito Interessante!
      Infelizmente tudo aponta para um ataque ao Iraque, com efeito dominó e, talvez precisamente com receio desse efeito, ainda não tenha começado.
      Obama tem tido dificuldade em rfrear Israel, mas acabará por sucumbir á lógica agressinva dos seus assessores presionado por vários lóbis
      Assim também se compreende a necessidade estratégica de retirar a Síria do caminho e o aparente contra senso da defesa Russa e Chinesa da posição Síria.
      http://www.globalresearch.ca/

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