Cerca de 16 milhões e quatrocentas mil pessoas estavam oficialmente desempregadas nos dezassete países da zona Euro no passado mês de Novembro, isto é 10,3% do total da população activa deste conjunto de países, valor que em Portugal atingiu então 13,2% – segundo dados do Eurostat.
Sendo o desemprego um dos maiores flagelos pessoais, em Portugal a situação atinge agora contornos assustadores. No espaço de um ano a taxa de desemprego oficial aumentou 0,9% (era de 12,3% em Novembro de 2010) estimando-se que continue a progredir, conforme o demonstra a perspectiva sobre evolução do desemprego nos próximos 12 meses publicada pelo INE. Portugal tinha, ainda segundo os dados do Eurostat, a sétima mais alta taxa da UE, numa lista encabeçada pela Espanha (22,9%), seguida da Grécia (18,8%), Lituânia (15,3%), Letónia (14,8%), Irlanda (14,6%) e Eslováquia (13,5%).
E evolução da taxa de desemprego na última década é bem a medida do falhanço das políticas seguidas por sucessivos Governos. A linha que une os 3,9% registados em 2000, os 7,6% cinco anos depois e os 14% que se poderão atingir em 2012, é a maior manifestação de que a década do euro foram dez anos perdidos em matéria de criação de emprego. Aliás, enquanto no ano 2000 eram mais de 5 milhões (5.020,9) os indivíduos registados nos diversos regimes de emprego, dez anos depois esse número era 4 milhões e 978 milhares. Elucidativo!
O estudo do organismo europeu de estatística permite-nos ainda compreender a dimensão deste problema junto dos mais jovens: 30,7 % dos jovens portugueses com idade activa abaixo dos 25 anos estavam desempregados. Valores ainda mais dramáticos são os que registam alguns outros países, casos da Espanha (46,9%), Grécia (46,6%) e Eslováquia (35,1%). Facto que está na base no regresso em força da emigração de jovens, agora em direcção a economias emergentes, casos do Brasil e Angola. Uma emigração significativamente mais qualificada que a registada em décadas passadas e retira ao país os mais aptos – sim, porque são, em regra, os mais aptos e dinâmicos que arriscam sair da sua “zona de conforto”, como um ajudante de ministro referiu numa amarga ironia, esquecendo-se que é o país quem perde quando jovens qualificados têm que procurar no estrangeiro rumo para a sua vida.
A “democratização da economia” anunciada pelo primeiro-ministro visa contornar o problema pela clássica estratégia de embaratecimento do custo do factor mão-de-obra (aumento do horário e diminuição de rendimentos de trabalho) e o aumento da precarização de vínculos – fingindo esquecer que nesse “campeonato” outros fazem já muito “melhor” que nós. Isto sem esquecer os baixos custos do factor trabalho de Portugal é já destacado titular, para o que bastará comparar o salário mínimo nacional praticado no país com o dos restantes parceiros europeus.
Conjugada com a recessão para que o país foi atirado, não são de esperar boas novas em matéria de emprego no ano que agora se inicia.
Ate onde e ate quando…
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