
No primeiro dia de um novo ano, saio de casa e percorro, tranquilamente, as ruas da cidade. A aragem fresca, húmida, um nada fria envolve-me, arrefece-me, mas só o corpo sente frio. Cá dentro sinto uma tepidez tão grande, tão suave, tão generosa.
As árvores murmuram entre si segredos… que não entendo. O vento passa por elas e as folhas, abandonadas aos caprichos do amante querido, ora esvoaçam, ora tremem. E eu, parado, contemplo-as.
São horas belas, estas, horas em que o tempo, na sua relatividade, não se detém, o que é pena.
Caminho em direcção ao jardim com vista privilegiada para o rio. Sento-me num banco qualquer… e delicio-me com a paisagem.
Oiço passos. Um par, ainda jovem, passa… e segreda. Ele cicia-lhe ao ouvido, não sei que frases ternas, ela sorri. Param. Beijam-se. Ainda não sabem beijar. Hão-de aprender. Depois seguem entrelaçados… cheios de sonhos e de inquietações, – alguns loucos, outros nem tanto – próprios daquela idade.
Pudera eu sonhar sempre, e viveria sonhando, reinventando o amor contra a “tormenta”.
Já poucos aguentam tanto engano, tanto sufoco pungente, tanto frio.
Muitos partem como quem abraça o mundo e fantasiam um futuro melhor. Outros já deixaram de sonhar. Uns têm medo, outros dormem de cansaço. Muitos, porém, seguem outro caminho…
Por mim, aguardo pela “primavera”, livre e esplendorosa, ardente, cheia de luz e cor.
Nunca tenho palavras que exprimam a realidade plena e desditosa.
Maravilha…
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Belíssimo!
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