economia, Geral, Internacional, Política

O Espectro do Referendo Grego assombra a Europa

A democracia ficou em sobressalto mal Papandreou anunciou que a Grécia iria referendar as novas e gravosas medidas de austeridade. O sexto pacote de austeridade que vem embrulhado na total perca de soberania orçamental, o que significa a submissão absoluta do povo grego aos ditames dessa coisa abstracta que dá pelo nome de mercados, através dos seus lacaios em Bruxelas, essa nomenclatura de comissários políticos que são conduzidos à trela pela Sra. Merkel e o seu criado Sarkozy.
Estão “consternados” (Sarkozy), “irritados e furiosos” (os alemães e o FMI), pela decisão de recorrer ao voto popular para que os gregos decidam democraticamente o seu futuro. Subitamente alarmam-se com o exercício da democracia. Democracia sim, mas só com os parâmetros e enquadramento que os favoreça. Os referendos são bons desde que não aconteça, como é previsível acontecer, que o povo grego diga legitimamente não contra os interesses dos mais fortes. dos que acham que só eles têm o direito à liberdade, a deles, e a fazer leis que a cimentem.

Do lado de Irlanda e Portugal podem dormir descansados, não haverá recurso a nenhuma prática democrática. O que as troikas decidirem está bem decidido. Ou em Portugal não tivéssemos dois ministros, fervorosos adeptos de Milton Friedman que, com os seus boys, pode fazer um exercício sem tropeços das suas teorias num Chile de democracia assassinada por Pinochet. Nada como não apagar a memória para nos lembrarmos a tempo que só assim, o barbarismo das teorias económicas dessa gente conseguiu ser posto em prática.

O alvoroço é imenso. A Alemanha e a França emitiram um comunicado conjunto em que afirmam estar “determinados” a fazer com que a Grécia”cumpra as suas obrigações”. Quer dizer as obrigações que lhes têm sido impostas com os resultados de todos conhecidos. Até onde chegará a determinação da Alemanha e da França? Vão invadir a Grécia, suspender a democracia mais do que ela já está, para impor a ditadura dos mercados de forma mais contundente do que já é exercida? Ainda os vamos ver discorrer sobre os perigos do exercício da democracia que, quando não serve os seus ditados, está a ser atacada de perversão.

Fala-se da dívida grega sem cuidar de conhecer a sua composição. Um jornalismo que, na prática, faz o trabalho de relações públicas dessa gente vai denegrindo os gregos sem sequer referir que o perdão de parte da dívida incide em perdoar parte dos juros usuários que os mercados têm aplicado à divida soberana grega. De facto, não é perdão nenhum. É prescindir de parte dos lucros que a agiotagem lhes estava a garantir.

O poder económico dominante já deve estar a preparar a legislação que lhes irá permitir legalmente regulamentar os direitos democráticos e as formas de livre expressão, mais do que já estão por via de uma censura surda favorável ao totalitarismo do pensamento único.

O terror deles é se a Grécia diz não. Prevê-se a implosão do euro, mesmo a guerra, como Nicolau Santos do Expresso aventou. Não está só no receio que a Europa seja novamente palco de batalhas. Aliás, seria uma extensão do mundo que vive num “estado de guerra perpétuo” como diz o general David Petraeus, antigo Comandante do Exército americano e actual Director da CIA. Guerra que tem acontecido, desde 1945, longe e nos arredores da Europa, mas nem por isso menos sangrenta. Com milhões de vítimas em todos os continentes, mortos por tropas especiais, assassinados por esquadrões da morte porque, como afirmou Dick Cheney, “os norte-americanos querem mandar no mundo”, impondo as leis dos mercados. Da mão invisível do mercado que tem sempre por detrás a mão visível dos Estados que servem os seus interesses.

E se a Grécia diz não? E se a Grécia exangue por cinco pacotes de austeridade, diz não ao sexto? E se a Grécia abandonar o euro, voltar á dracma, desindexar a sua dívida do padrão euro e reduzir a sua dívida em percentagem imprevisível? Uma manobra financeira em que os norte-americanos foram pioneiros, quando desindexaram o dólar do ouro e, da noite para o dia, reduziram a sua dívida em mais de 35%? É difícil mas não é impossível. Daí o terror que assombra a Europa da Sra. Merkel e do seu criado Sarkozy, mais a trupe funambulesca dos comissários europeus. Rangem dentes, afiam facas, nem por um momento lhes passa pela cabeça que este modelo está esgotado. É o caminho certo para o desastre.

O risco que todo o mundo está a correr é o de economias decadentes, como a dos Estados Unidos da América e da Europa, disporem de um enorme potencial bélico, e não terem pejo em o accionar como se viu agora na Líbia, bêbedos pelo cheiro do petróleo e pelas promessas do Conselho Nacional de Transição de traficar poços de petróleo e gás por apoio militar.

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2 thoughts on “O Espectro do Referendo Grego assombra a Europa

  1. Olinda Peixoto diz:

    Um post elucidativoi.Ao “ouver”a comunicaçao dominante e dominada ficamos a perceber de que lado estao ao tentar impor o ponto de vista do capital.Sao uns democratas…

    Gostar

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