Geral

Sem filhos, sem futuro

Portugal transformou-se no espaço de poucas décadas num país em que as pessoas não querem ou não podem ter filhos. Com 1,3 filhos por mulher com idade compreendida entre os 15 e os 49 anos, os portugueses possuem a segunda mais baixa taxa de fecundidade do mundo. Somos apenas ultrapassados pela Bósnia Herzegovina. A informação consta no Relatório sobre a Situação da População Mundial em 2011, elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e que se reporta ao período compreendido entre 2010 e 2015. A mudança de comportamentos dos portugueses é bem ilustrada pelo tremendo recuo da taxa de fecundidade geral (*) que era, em 1971, de 84,6 e é, na actualidade, de 39,7 segundo dados da PORDATA/INE.

Com o país mergulhado numa assustadora “apatia natal” , não espanta que, segundo o mesmo relatório, o crescimento populacional de Portugal estimado para o mesmo período se situe em zero. O país faz parte do conjunto de vinte estados em que se prevê que a população estagne ou diminua, curiosamente quase todos situados no continente europeu; as excepções são Cuba, Dominica, Japão e S. Vicente e Granadinas.

A consciência de que Portugal tem um sério problema demográfico – aliás, um dos mais graves problemas com que se confronta – ainda não chegou ao plano político. Ao contrário de outros países europeus que há décadas se confrontaram com semelhante problema e conseguiram promover estratégias para o resolver. Dados recentes demonstram que a manutenção dos quantitativos da população portuguesa tem sido assegurada pela imigração. Sem este movimento Portugal parece condenado a definhar e a transformar-se num país de velhos.

A mudança de paradigma relativamente à existência individual, associada à hipervalorização do acesso e posse de bens de consumo, transformou radicalmente as expectativas dos habitantes das sociedades contemporâneas, nomeadamente europeias, tornando-os sítios mais egoístas e menos propensos a famílias mais numerosas. Mas cabe às nações e aos povos exigir aos seus governos a alteração dos dados de base do problema. A promoção dos apoios à maternidade tem que estar na primeira linha de preocupações. Infantários e creches a preços acessíveis, horários de trabalho adaptados às jovens mães, custos com a educação…

Receio que, agora, com o cenário da crise, tenham mais uma vez “justificação” para continuar a adiar as soluções. Mas o problema é como que uma bomba-relógio por todas as implicações inerentes ao envelhecimento da população.

(*) Taxa de Fecundidade Geral. Número de nados-vivos observado durante um determinado período de tempo, normalmente um ano civil, referido ao efectivo médio de mulheres em idade fértil (entre os 15 e os 49 anos) desse período (habitualmente expressa em número de nados-vivos por 1000 (10^3) mulheres em idade fértil). Fonte PORDATA.

Standard

Comente aqui. Os comentários são moderados por opção dos editores do blogue.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s