Cultura

Jacques Brel – 8


A morte é tema obsessivo em Jacques Brel. Está presente em todos os seus discos. A morte é para Brel o lugar-comum das nossas derrotas, o fim obrigatório de tudo, sobretudo da amizade. Para lá da morte não há nada, ó buraco negro que traga tudo mesmo a amizade.

FERNAND

Brel é de uma lucidez aguda. Prevê que no último momento, no instante supremo terá medo pela última vez. Aproveitará essa fracção mínima de tempo para ajustar contas com o mundo sem complacências e com ironia. É sempre triste morrer ainda que seja na primavera, quando se parte tranquilamente ao encontro das flores

LE TANGO FÚNEBRE

Embora ironize sem contemplações a morte tem um significado quase metafísico e é a morte que, para Brel, confere aos projectos humanos o seu verdadeiro significado, colocando-os no domínio do provisório e do efémero. Para ele, o homem tem sede de absoluto e é a morte que demonstra que esse objectivo está fora do alcance humano. Como para lá dela nada existe o fracasso é inevitável.
LA MORT

Jacques Brel tem um olhar atento e cortantemente crítico sobre o mundo exterior que acaba por se impor sem que ele consiga encontrar a chave que poderia abrir a porta para um mundo social e politicamente diferente. De uma extrema lucidez, fica preso a essa lucidez, sem nunca fazer uma opção de fundo. Só no seu último disco, pela primeira vez, enuncia um ponto de vista social sem chegar a enunciar uma posição política numa canção que também é um pungente grito de revolta intemporal.
JAURÈS

Acabe-se esta evocação de Jacques Brel, um dos grandes cantores dos últimos séculos, celebrando a sua Bruxelas natal

BRUXELLES

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2 thoughts on “Jacques Brel – 8

  1. Mais uma das minhas intromissões. A morte, claro, e a previsão (ou não) dela. A morte precedida pela solidão, pela tristeza e a triste rotina em que se torna a vida dos idosos tão bem descrita em Les Vieux que me parece enquadrar-se perfeitamente aqui.
    O que me parece difícil, na obra de Brel, é separá-la em temas (o que aliás tens conseguido da forma mais possível e rigorosa) porque quase todos os temas estão em cada canção e são transversais, com raras excepções, como devem existir.
    Concordo absolutamente com as sugestões de divulgação deste trabalho mas, com amargura te digo (desculpa mas bem sabes). Quem é que neste país aziago se interessa por Brel? Só meia dúzia de carolas. Agora, pode ter o efeito, sim, de mostrar a quem não conhece e aos esquecidos que há outra “arte” e ainda de dar um abanão, não só com Brel mas com outros que nós sabemos, a quem anda distraído. Uff. Já me estou a esticar. É por causa do sono. Bjs. e até à próxima.

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  2. Helena Pato diz:

    Ninguém pegará neste trabalho (texto com música dentro) para fazer um musical? É uma pena que isto se perca, que eu saiba é único, e em livro perdia-se…Eu tinha dado essa sugestão, a Marta volta a ela, mas, bem pensado seria um musical («O Bando?»). Oxalá não fique aqui enterrado, depois de consumido pelos leitores da Praça!

    Um beijo, Manel
    Lena Pato

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