Cultura

Jacques Brel – 7


A sul de qualquer norte, Jacques Brel corre atrás dos sonhos É Jacky que em Knokke lê Zoute  canta para mulheres fatais / com voz de acordeão / em argentino de carcassone para melhor exibir a virilidade a gajas fáceis, maquilhadas como árvores de natal / e cantará em cada noite as canções do tempo em que se chamava Jacky // que tinha os seus dias de ilusão julgando-se governador de Macau/ rodeado de lânguidas mulheres e traficando ópio / ou até ser considerado mestre cantor cantando as suas canções a caminho do paraíso para mulheres com asas brancas lamentando o tempo que viveu na terra e ficar no céu entre Deus Pai e Deus Filho a engendrar um paraíso onde os anjos, os santos e o diabo lhe cantarão a sua canção a canção do tempo em que se chamava Jacky em que tinha a sua hora da sorte, uma hora que só acontece algumas vezes e que afinal é a hora em que chega a sua vez de ser parvo.

É uma canção sempre a correr atrás das ilusões mesmo que só durem uma hora o tempo suficiente para Brel se encontrar, criticando o mundo da canção de variedades, uma certa de forma de estar na vida e as miragens que afinal tanto se plantam neste como no outro mundo.

JACKY

 

 

 

 

Chega sempre a hora em que os álibis já não satisfazem. Em que as evasões que se fingem inocentes são o biombo de uma realidade que se gostaria de ignorar. Chega sempre a hora em que descobre que a Argentina já não é a Argentina, a esperança deixa de ser esperança, as dúvidas perdem todo o significado. A hora em que não se consente a solidariedade fácil dos que perseguem paraísos artificiais. Nessa noite chove em Knokke-le-Zoute. Nessa noite como em todas as outras noites.

KNOKKE-LE-ZOUTE TANGO

Se no reino deste nosso mundo nem sequer o amor escapa às leis da oferta e da procura, a ternura, os afectos e a amizade são algo que se oferece sem esperar contrapartidas. Esses são dois dos pilares centrais na obra de Brel que resistem a todas as corrosões. JEF é um enorme hino á amizade

JEF

Jojo é particularmente comovente. Brel sabe que vai morrer e canta a amizade que irá sobreviver à sua morte recordando o que viveu com um amigo já desaparecido. A amizade está para lá da vida e constrói-se dos sonhos comuns, fortalece-se com pequenas e grandes coisas. É um elo sempre tão forte e firme que ultrapassa todas as tempestades, todas as fronteiras.

JOJO

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3 thoughts on “Jacques Brel – 7

  1. Helena Pato diz:

    Magnífico trabalho de recolha, este, com uma bela escrita – que Brel bem merecia. Recordei-o comovendo-me quase sempre. Há realmente nomes que ficam a brilhar para sempre no Universo…
    Obrigada, um beijo, Manel
    Lena Pato

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    • Olá pai,

      Tens que aproveitar este fantástico trabalho (e outros) que fizeste para publicar e de preferência num documento único!
      Dar a conhecer a mais pessoas. Sabes que eu acho que um blogue chega a muitas pessoas, mas um livro é sempre um livro. Pensa nisso!!!
      Beijinhos
      Brel para sempre
      Marta

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