economia, Política

Abominações

É um tempo de abominações!
Ver Passos Coelho ladeado por um untuoso Relvas, saído das catacumbas dos milhares de facturas que tinha descoberto no Instituto do Desporto e que os seus carregadores transportaram para a Assembleia da República, acompanhados por música de pompa e circunstância em altos berros como convém, e que afinal não eram nada, coisa que não o incomodou porque está pronto para a próxima teatrada foleira, como o seu alçado principal e os seus escrúpulos democráticos recomendam, e um moedas engomado pelos cartazes que exibe por tudo e nada com as certezas astrológicas de excelência, como é adequado a tão proficiente fala barato, provoca imediata náusea.

Náusea maior quando Coelho defende, sem uma hesitação, que milhares de homens podem matar-se a trabalhar, à beira do colapso, no dia-a-dia da sua situação precária, mantendo os privilégios de uns tantos, poucos e raros, nacionais ou estrangeiros, que, eventualmente, poderão criar postos de trabalho para que mais umas centenas continuem a matar-se a trabalhar, vivendo dia a dia uma situação precária. Diz isto sem vergonha, querendo que sejamos cúmplices dessa situação que legitima uma morte silenciosa, que não lhe provoca uma linha de sobressalto. Prega a resignação dos conformistas quando o sacrifício não é seu, nem dos seus correligionários mais próximos, nem dos senhores do capital que puxam as cordas dos seus cérebros marioneta.

Náusea que se aprofunda ao limite ouvindo o ministro da Segurança Social que assume o pensamento transversal a este governo, em que os direitos sociais não são direitos porque a política social é uma política assistencialista,  de distribuir migalhas aos pobrezinhos possuidores de  cartõezinhos que certificam a pobreza. Sabem que, com as políticas que estão a praticar, os pobrezinhos serão cada vez mais.

Um nojo! Isto é de gente que está habituada a dar esmolas e que bem sabe que as esmolas não resolvem o problema da miséria. Só serve para dar conforto psicológico a quem dá a esmola e que espera que a esmola o livre de incómodos.
Esta é a coluna vertebral das políticas deste governo. Quem está neste governo está comprometido com esta filosofia que é a sua espinha dorsal e que se enraíza nas políticas económicas e financeiras que têm ao leme duas personagens do apocalipse neoliberal, o ga-gue-jan-te-vi-tor-gas-par e o silencioso, quando abre a boca é patético, álvaro. gente que nos garante, dia pós dia, a abjecção.

Desta gente nada há a esperar! Com eles qualquer esperança no futuro descarrega-se minuto a minuto num esgoto mal cheiroso e sem qualquer tratamento.

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3 thoughts on “Abominações

  1. Luis Almeida diz:

    É mesmo! E quando nós já estávamos quase convencidinhos que que eles tinham razão, que patrões e trabalhadores concorrem todos para o mesmo objectivo ( e que podem até ser amigos … ), que os governos eleitos pelo povo tentam fazer o melhor para melhor servir a todos, que isso de classes e luta de classes é uma coisa inventada por uma minoria com ideias radicais, lá vêem eles a lixar-nos de todas as maneiras possíveis ( e a beneficiar outros ) a lembrar-nos, com o impacto de um murro nas nossas condições de vida, que afinal existem classes. E de que maneira ! Pelo menos a “deles”…
    Bom se existe a “deles” também deve existir a “nossa”, né ?
    Ah! E outra coisa: somos radicais! Queremos mudar as coisas de raíz…

    Gostar

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