Cultura, Geral, Setúbal

Palmela, tempo de vindimas

Palmela é terra de vinhas e de vinho. Que são, desde há muitas gerações, um dos mais vincados traços de personalidade das terras deste grande concelho com 463 quilómetros quadrados.

O vinho é, por outro lado, um dos poucos sectores da agricultura portuguesa que, contra todas as dificuldades, conseguiu resistir à catástrofe que tem sido para Portugal as políticas agrícolas comunitárias.

A Festa das Vindimas, que há dias terminou em Palmela, foi um momento alto da vida deste concelho entre o Tejo e o Sado e assinala como que o fim de um ciclo de vida e o inicio de um outro.

Os palmelões são gente muito orgulhosa da sua terra. E tem algumas razões para isso. Situada no alto de uma elevação de onde a vista abarca grande parte da península de Setúbal, Palmela, que foi em tempos o centro administrativo da Ordem de Santiago, é hoje uma terra em que o mundo agrícola tem ainda considerável importância. Poceirão, Marateca, Canha, Pegões e Santo Isidro de Pegões são algumas dessas zonas. E aí avulta a vinha e o vinho, com algumas casas agrícolas que resistiram à degradação da agricultura portuguesa.

A recente vitória do Moscatel de Setúbal – Reserva 2006, da casa Venâncio da Costa Lima, no concurso Muscats du Monde, em França, ou a estrondosa vitória, em 2008, do Syrah 2005, da casa de Ermelinda de Freitas, como o melhor tinto do mundo no concurso Vinailes Internacionales, a par de um já formidável número de prémios reunido por estas e outras casas agrícolas da região, tem catapultado Palmela e as Terras do Sado para novos patamares de prestígio vinícola. O volume de vendas e a capacidade exportadora têm progredido.

Um prestígio que Setúbal partilha, não fosse também o concelho onde se localizam vinhas e explorações especialmente prestigiadas com a Quinta da Bacalhoa ou José Maria da Fonseca (Azeitão). Não fosse Setúbal um vizinho com especiais relações com Palmela – em cujo termo nasceu, mas que em certa altura da história foi a sede do concelho em que Palmela foi integrada (1855-1926). Constituem, Palmela e Setúbal, as duas Denominações de Origem da região vitivinícola da Península de Setúbal.

Terras de vinhas e de vinhos, também aqui se demonstra a unidade na diversidade que Setúbal e Palmela partilham. Tradicionalmente mais agrícola (mas também já com expressivas manchas industriais) a marca vinhateira está colada na identidade palmelense. É visitar as belas vinhas e as casas agrícolas que elas sustentam; é ver os desfiles que todos os anos as principais colectividades de Palmela, com o apoio das casas agrícolas, dedicam às vindimas e ao vinho na Festa que lhes é dedicada, sempre no primeiro fim de semana de Setembro. Tradicionalmente mais ligada ao mar e às actividades piscatórias, o traço vinhateiro de Setúbal é mais discreto, embora na suas freguesias de Azeitão ele seja bem expressivo como o provam as casas ali estabelecidas.

Bem faz Palmela em persistir com a sua Festa das Vindimas. É que a vinha e o vinho fazem parte da sua identidade e nada melhor que a valorização da personalidade distintiva de cada terra para a afirmar nacional e internacionalmente.

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