Costumes, economia

Um país de velhos e com os imigrantes de partida?

Com o avolumar da crise o número de residentes estrangeiros em Portugal está a diminuir. Esse número terá diminuído dois por cento em 2010, segundo o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Se o facto tranquiliza aqueles que vêm na imigração uma ameaça, ele pode também ser um mau sinal para um país em quebra demográfica, que envelhece e se desertifica rapidamente e que depende já significativamente dos imigrantes para a renovação da sua população.  

Segundo aquele relatório “O Brasil mantém-se como a comunidade estrangeira mais representativa, com um total de 119.363 residentes, mantendo a tendência de crescimento sustentado, que ocorre desde o início do século. A Ucrânia permanece como a segunda comunidade estrangeira mais representativa (49.505), seguida de CaboVerde (43.979), Roménia (36.830), Angola (23.494) e Guiné-Bissau (19.817 cidadãos)

O tema de imigração entrou definitivamente nas preocupações dos portugueses, como se pode verificar pelas discussões públicas que suscita e que a mera consulta dos comentários às respectivas notícias na imprensa facilmente ilustra. Questão que, desde há muito, se conhece nos tradicionais países de destino, na chamada Europa rica, que também acolhe centenas de milhares de emigrantes portugueses. A Portugal, até há cerca de duas década, quase que só chegavam migrantes das suas antigas colónias. A crise brasileira dos anos noventa e a desintegração da União Soviética e do bloco do leste europeu, bem simbolizada pelas guerras da ex-Jugoslávia, marcaram o ponto de partida para um novo fluxo de migrantes em toda a Europa. À época entrava em funcionamento o espaço Schengen (1992) que viria permitir a livre circulação de pessoas entre os países subscritores. Em poucos anos o país tornou-se destino de imigrantes, apesar de os portugueses nunca terem deixado de procurar melhores condições de vida noutros países.

A presença imigrante tornou-se notada (e necessária) em importantes sectores económicos, como a construção, a hotelaria e a restauração. Provavelmente o país não poderá prescindir dessas pessoas sem um forte impacto nas suas estruturas. O agravamento da situação económica tem seguramente contribuído para que o país deixe de se um destino desejado para fixação.

Com diversos matizes, muitos portugueses encontram nos imigrantes a justificação fácil e imediata do mau estado em que o país se encontra. E sentem-se tentados a apadrinhar soluções que não podem ser aceites por um Estado democrático e de direito, mas que podem vir a influir nas decisões da governação. Os sangrentos acontecimentos ocorridos na Noruega, sendo uma expressão extrema e desumana, vêm mais uma vez chamar a atenção para o mau estar instalado um pouco por toda a Europa rica e remediada, nomeadamente a do norte, para o facto de algumas franjas da população ver nos imigrantes os responsáveis pelos aumentos da criminalidade e da insegurança nas ruas. E que em vários países e regiões europeias está na origem de significativos aumentos de votação em partidos que defendem medidas anti-emigrantes e na deriva pró-xenófoba de forças políticas habitualmente moderadas nessa matéria. A dimensão territorial criada pelo espaço Schengen criou problemas complexos de segurança para que haverá que estudar soluções.

Importa que os governos se recusem a participar numa onda populista que, podendo no imediato render alguns votos, não deixará de lançar a semente de ódios com consequências imprevisíveis. Bom seria que esses se concentrassem na atracção de imigrantes qualificados, ajudando a integrar na sociedade e qualificando todos aqueles que estão dispostos a dar o seu contributo para a prosperidade do país.

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