Pouco tempo após ter ajudado uma vida a nascer na área de serviço de Alcácer do Sal, um bombeiro voluntário da corporação de Grândola perdeu a sua própria vida num acidente num dos mais fatídicos e incompreensíveis nós rodoviários da cidade de Setúbal.
Não conheço os pormenores do acidente que vitimou o soldado da paz de Grândola, mas todos os que conhecem o local onde ocorreu – o chamado cruzamento do Jumbo, no final da AE 12 (Setúbal-Montijo), sabem o quão perigoso ele é e as vidas que ali têm sido ceifadas.
O local é uma verdadeira armadilha para quem não o conheça ou nele circule com menor atenção. Trata-se de um cruzamento em que se cruzam duas rectas – uma, o eixo AE12/avenida Pedro Álvares Cabral, a outra, o eixo EN10/avenida Antero de Quental. São controladas por semáforos mas permitem ao trânsito virar para qualquer uma das outras três direcções possíveis, num total de 27 faixas! Todas no mesmo nível. Isto é, há muito tempo que estas vias de distribuição rodoviária deveriam ter sido desniveladas, por exemplo. É que o actual sistema foi, apesar de diversas adaptações, originalmente construído há cerca de trinta anos quando a malha urbana de Setúbal estava ainda longe destas vias.
Os anos passaram, a cidade cresceu, o volume de tráfego aumentou exponencialmente e este super-cruzamento não mais parou de propiciar acidentes, muitos de extrema gravidade e mortais. Claro que a
responsabilidade é sempre de quem conduz, mas o sistema viário pode e deve encontrar soluções que diminuam os riscos que lhe estão associados. O chamado “cruzamento do Jumbo” é um desses locais e há muito que está identificado como um ponto negro.
