Mário Soares confessa, numa recente entrevista ao jornal I, que conspirou muito em 1975. Estaria mais próximo da verdade, se confessasse que conspirou desde sempre e que conspirar contra o fascismo não terá a parte de leão nessa sua continuada actividade.
Agora revela que conspirou com D. António Ribeiro e que só assim encheu o tristemente célebre comício da Fonte Luminosa. Todas as semanas o encontrava tal como se encontrava regularmente com Frank Carlucci, e bem poderia acrescentar mais uma série de nomes mais e menos sonantes que activamente e logo na manhã do 25 de Abril começaram a socavar a Revolução.
Pelo andar das confissões mais algumas coisas iremos saber do que já se sabia. Outras coisas ficam sempre envoltas em névoas pouco esclarecedoras. O dr Soares poderia puxar pela cabeça e revelar as fontes de financiamento para essas conspirações se concretizarem. Quem eram os emissários e os principais destinatários. Como é que o dinheiro circulava e era distribuído. Quanto se perdeu pelo caminho não chegando ao seu destino desviado para outros usos, coisas talvez inevitáveis naquelas turbulências, mas que devem ter dado largo proveito a alguns.
O que o dr Soares nunca confessará é que o estado a que o país chegou, o estado à beira da falência em que estamos, submetidos aos ditames de Washington e Bruxelas, prestando vassalagem ao grande capital, é a consequência directa das conspirações contra o 25 de Abril em que foi uma das personagens centrais, uma das marionetes maiores e mais coloridas do grande guignol contra-revolucionário, manipulado à distância nos centros decisórios do imperialismo.
O “jeito” já lhe vinha de 1969. Lembram-se da CEUD…?
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Boa ideia!
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