economia, Política

Acabar com a Hidra

Reformas estruturais foi o que mais houve em Portugal desde que aderiu à União Europeia e, sobretudo, desde que aceitou fazer parte da moeda única trocando o escudo pelo euro, que já era um erro tornou-se um erro ainda maior com uma cotação disparatada, em que o escudo foi sobreavaliado. Nessa altura por onde andava a tropa fandanga que agora desfila nos meios de comunicação social a aplaudir o programa imposto pela chamada troika? Embandeirava em arco, primeiro com a adesão à CEE, depois com a adesão à moeda única. Sempre munidos com a sapiência técnica de quem não percebia que a partir desse momento tínhamos o destino marcado a caminho da forca. Quem apontava os riscos, enunciava os perigos era objecto dos piores anátemas por não apoiar esses passo a caminho do apocalipse que eles confundiam com o caminho para a modernidade. O resultado está-se agora a ver.

Depois da adesão à União Europeia o nosso, frágil, tecido produtivo além de perder competitividade, foi paulatinamente destruído. Indústrias, agricultura e pescas foram arrasadas seguindo cegamente as políticas europeias sectoriais que sempre protegeram os mais poderosos em detrimento dos mais fracos, a quem atiravam uns sacos de euros para os manterem em silêncio, acelerando a transferência para os privados dos bens públicos. Essas sim, foram reformas estruturais que as bestas apocalípticas trombeteavam como o caminho triunfal da Europa connosco.

V iu-se ao que conduziu essa auto-estrada de regresso ao passado. Quando a crise económica era mais visível, lá vinha a ladainha das reformas estruturais, como se elas não estivessem de facto a acontecer com a desindustrialização, com os campos ao abandono distribuindo subsídios para que deixassem de ser cultivados, com o abate da quase totalidade da frota pesqueira, isto num país que tem um uma área de águas territoriais incomparável em relação à sua superfície territorial, com privatizações que só não eram selvagens porque se faziam leis à medida.

Até que, à beira da bancarrota, se foi pedir ajuda a quem nunca ajudou nada nem ninguém. Só tem agravado a crise económica dos países por onde tem passado, espalhando pobreza e reforçando o capital e a especulação financeira. Para sair do túnel onde nos meteram não foram em direcção à bruxuleante luz que havia lá no fundo, abriram caminho para outro túnel sem fim à vista. Qualquer um, por mais leigo que seja percebe o enorme buraco em que estamos metidos e no maior buraco em que vamos cair.

O pacote da dita ajuda só apoia com mãos cheias de euros a banca, o capital financeiro. Dos 78 mil milhões de euros previstos mais de 15% são oferecidos à banca, um saco que pode engordar até quase 45%! Um escândalo!!!
Enquanto a generalidade da população é condenada ao empobrecimento, a banca e as grandes fortunas continuam intocáveis.

Enquanto se dão todas as condições para o capitalismo monopolista acelerar a sua reconstituição, promove-se o declínio do que resta do nosso tecido produtivo.

A essas reformas estruturais somam-se o tornar mais fácil e barato despedir, reduzir os apoios sociais, encarecer o acesso à saúde e ao ensino.

Reformas estruturais que, somadas às anteriores, vão aumentar o desemprego, conduzir portugal para sucessivos anos de recessão.

Os partidos responsáveis pelas políticas que, em mais de trinta anos, nos conduziram a esta situação, atirando Portugal para a miséria, são os mesmos que descobrem que afinal o programa de ajuda não vai ser tão doloroso como se previa, que acham que existe margem de manobra para ainda piorar o que já está muito mal ou que estão dispostos a dar contribuições positivas para que nada nos desvie do caminho do desastre.

São esses políticos lerdos e seu séquito que, hidra de sete cabeças, buzinam a toda a hora nos meios de comunicação social com a inevitabilidade das soluções para os problemas de que eles e só eles são responsáveis, enquanto praticamente silenciam a voz de quem denuncia que vamos saltar da frigideira para o fogo.

É urgente que se façam sacrifícios, mas sacrifícios para sairmos desta situação. Para que se destruam essas reformas estruturais e se façam por reformas estruturais de facto, que coloquem nas mãos do estado as ferramentas essenciais para que Portugal caminhe para o progresso.

Enquanto as comadres se zangarem e acusarem-se em grande alarido para enganarem o Zé Povinho para o jogo das cadeiras continuar, não vamos lá!

Chega de mudar de governações! O que é necessário e urgente é mudar de políticas!

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One thought on “Acabar com a Hidra

  1. João Eduardo Coutinho Duarte diz:

    Isto vai dar muito trabalho. Convencer este pobre povo que anda a ser enganado`há mais de 35 anos custa muito, muita capacidade de explicação, muita, infinita , paciência para tornar evidente que menos Estado, pior estado, só irá a gravar o futuro. Agora são as previsões da ONU de que este país daqui por 80/90 anos verá a sua população decrescer em 4 milhões. O que não é novidade, basta verificar as taxas de natalidade. Esta Trempe que nos desgovernou e desgoverna está preocupada com isto? Ou será uma benção para a definitiva especialização em lavar pratos aos estrangeiros que nos virão ainda explorar mais?

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