Internacional

Justiça Americana

Os americanos, já se sabe, são os campeões da democracia, das liberdades, da justiça, da livre iniciativa, do empreendedorismo. Democracia mais justa que a norte americana não há. Mas, como é sabido, as regras americanas mudam radicalmente se passam as fronteiras do país.

Os julgamentos com júris que Hollywood tão bem encena só servem mesmo para os filmes. Quando se trata dos outros bandidos, ou melhor, dos bandidos dos outros, a lei americana torna-se menos cinematográfica e estende o seu braço armado que não perdoa nem julga: mata e estropia.

Para que servem então as instituições internacionais, os tribunais penais internacionais, as Nações Unidas? Para nada, claro. Ou melhor, servem, mas para os outros.

A”justiça” americana acaba de dar mais um exemplo da sua notória capacidade de eliminar todos os progressos que a civilização fez durante milhares de anos para eliminar a selvajaria. Bastou um punhado de soldados enfiados num helicóptero e já está: Bin Laden foi executado sumariamente, com irmão e mulher, numa acção militar americana em território estrangeiro. Hollywood também gostará deste argumento e em breve aí teremos a história a fazer furor nos cinemas.

Não passou pela cabeça dos americanos capturar o criminoso Bin Laden e julgá-lo nas instâncias apropriadas. A vingança, pecado capital dos estados arrogantes e poderosos, foi a única coisa que ocorreu a Bush e ao Nobel da Paz Barack Obama.

Curiosamente, nunca houve da parte dos americanos tanta disponibilidade e vontade de perseguir e castigar outros criminosos, como Pinochet, que morreu tranquilamente aos 91 anos num exílio dourado em Londres, sem que ninguém lhe entrasse pela casa dentro aos tiros. O Pinochet que foi responsável pela morte de milhares de chilenos. Os mesmos americanos que sempre protegeram o bandido Posada Carriles, autor do primeiro atentado bombista num avião e que continua a viver tranquilamente em Miami. Neste caso há, porém, um problema óbvio: o avião era cubano e Posada Carriles é um protegido dos americanos, logo, para a justiça da Casa Branca, pouco importaram as dezenas de mortes provocadas pelo atentado.

Numa coisa temos todos de concordar: a hipocrisia americana é notável.

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