Setúbal

Ainda o Casino de Tróia

Com a aproximação do Verão e da época balnear, o tema de Tróia e das limitações de acesso à península deverá voltar à ordem do dia. Ou melhor, deverá voltar a preocupar a enorme massa de população setubalenses descontente com os exorbitantes preços que a concessionária dos transportes fluviais cobra por uma simples viagem de ida e volta.

Já muito se escreveu sobre este tema, em particular aqui (e aqui, mais aqui), na Praça do Bocage. Vale, contudo, a pena voltar a escrever sobre Tróia a propósito do recém inaugurado Casino, eldorado que parecia à mão de semear para os grandes investidores Amorim e Belmiro. Soube-se, no princípio de Abril, que, afinal, o Casino de Tróia facturou menos no primeiro trimestre de 2011 do que o Bingo do Vitória de Setúbal. A receita, de acordo com o Jornal de Negócios, ficou-se pelos 859 mil euros, o que deverá dificultar bastante a concretização do objectivo fixado inicialmente de gerar oito a dez milhões de euros de receitas no casino do outro lado do Sado. Jorge Armindo, o presidente da Amorim Turismo, adere à moda das revisões em baixa e já dá como aceitável uma expectativa de uma receita de seis milhões de euros em 2011, o que, para já, e sabendo-se o que se sabe da crise que nos atormenta e do que mais aí vem, parece bastante optimista.

Até o Casino de Chaves, aberto em 18 de Janeiro de 2008, rendeu mais em período homólogo, mas com menos 18 dias de operação do casino de Tróia, que abriu em 1 de Janeiro de 2011. A receita de Chaves cifrou-se em 1.6 milhões de euros, quase o dobro dos 859 mil euros de Tróia. Os tempos são outros, é certo, mas a diferença não deixa de impressionar.

O chefe da Amorim Turismo não se compromete com causas para tão baixa performance, mas eu, que observ0 deste lado do Sado, quase apostava que o facto de uma viagem de ida e volta nos catamarans da Atlantic Ferries custar cinco euros, isto sem contar que, se o jogador decidir levar a viatura, tem de pagar pela mesma viagem 22 euros, pode ser um motivo bastante plausível para a reduzida clientela da casa de jogo. Como qualquer pessoa menos atenta seria capaz de adivinhar, o maior número de potenciais clientes estaria na cidade que está à distância de um rio e, por isso, seria bom para o negócio facilitar a vida aos setubalenses. Mas não, a Sonae e a Amorim querem lá saber disso… Devem é estar à espera que venham para aí charters e charters de jogadores chineses.

Não foi nada para que os setubalenses não tenham chamado a atenção. Pelo contrário. Não porque estivessem preocupados com os lucros da Amorim Turismo, mas sim porque o absurdo aumento dos preços dos transportes fluviais apenas serviu para criar uma barreira social no acesso aos areais de Tróia, algo que sempre foi dos setubalenses.

Todo o processo de reabilitação de Tróia foi feito num permanente e arrogante desprezo por Setúbal e pelos setubalenses, a começar na criação dos tais obstáculos de acesso à praia e a acabar com a marginalização do concelho de Setúbal na distribuição dos lucros prevista no contrato de concessão.

A paga dos setubalenses à Sonae e à Amorim aí está: continuam a preferir o Bingo do Vitória de Setúbal ao casino do Amorim e do Belmiro, aquele grande empreendedor dos hipermercados que classifica Setúbal como a margem pobre e malcheirosa do Sado.

Bem visto.

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