economia, Internacional, Política

NÃO! A Islândia não cede!

Mais uma vez os islandeses dizem NÃO a pagarem as aventuras de um banco privado. Os islandeses dizem novamente NÃO a um pagamento negociado com ingleses e holandeses em que estes,  na mira de recuperarem algum já tinham aceite a desindexação da coroa islandesa do euro o que, com a desvalorização da coroa, representava o contentarem-se em receber menos 40% do começaram por exigir, com a arrogância normal do grande capital. Perdida essa batalha, foram aceitando novas formas, juro fixo, e prazos de pagamento, quinze anos. Mesmo assim o que estava a ser referendado correspondia a que cada família islandesa pagasse 150 euros por mês, durante quinze anos.

O escândalo é exigir a um Estado, aos seus cidadãos contribuintes, que paguem as dívidas de um banco privado que se estabeleceu em Inglaterra e Holanda, com o acordo desses países e que, de especulação em especulação, foi á bancarrota. Quem é que devia fiscalizar as actividades desse banco? O governo da Islândia, claro nas actividades feitas no seu território. As entidades reguladoras inglesas e holandesas, nos negócios feitos nos seus países. Sabemos como essas coisas acontecem, não nos esquecemos do regulador Victor Constâncio e dos casos BPN e BPP. Conhecemos isso de ginjeira, nem nos admiramos se o banco tinha notação AAA, atribuído pelas célebres agências de ratting, como tinha o Lehmann Brothers em vésperas de falir.

Continuam os ingleses e holandeses aos gritos à porta da Islândia. Fazem ameaças das mais variadas, como o não fizeram investidores e fundos de pensões alemães, quando perderam milhões com a falência do Lehmann Brothers. Pudera os EUA são centenas de milhões e são a maior força militar mundial. A Islândia tem pouco mais de meio milhão de habitantes e não tem exército. Faz toda a diferença!

As intimidações continuaram, vão continuar, cercando esse pequeno país. O FMI do primeiro NÃO afirmava que não os ia “ajudar”. Ajuda do FMI? Os islandeses devem achar que isso é uma boa piada e mandaram borda fora o governo de direita que se preparava para pedir a intervenção do FMI.

A EU, aquele seu comissário para os assuntos económicos que aparece sempre com receitas velhas como os trapos, teve uma iniciativa que nos dá uma bela imagem do que é capaz para o capital lhe reconhecer a competência de cabo de esquadra. Preparou uma lei em que os governos ficam obrigados a garantir 100% dos depósitos em bancos da EU. A lei foi elaborada e aprovada depois da crise islandesa ter sido despoletada. Queria a Comissão Europeia  que a Islândia se submetesse a uma lei feita por medida e meses depois dos acontecimentos, para obrigar os contribuintes islandeses a pagar a especulação de um banco privado. A imaginação de que o personagem se reclama, como vimos recentemente nas televisões, deve ser a de quem não tem ética alguma desde que o capital ganhe em qualquer  tabuleiro.

Os islandeses é que continuam irredutíveis. Durante toda a semana foram bombardeados pelas virtudes do novo acordo, pelas virtudes de, se o aceitassem, poder aderir à EU. Alvejados com sondagens que davam a vitória certa do sim. Só quase à boca das urnas é que as sondagens colocaram a hipótese de um empate. O resultado até agora conhecido, não foi como o do anterior referendo com a vitória do NÃO a alcançar 94 %. Mesmo com os panos quentes de condições mais favoráveis, a amplificação das ameaças, a manipulação informativa, mais uma vezos islandeses, mais uma vez, não cederam.

O que diz a Comissão Europeia e os seus arrogantes burocratas: “ vamos tomar nota” dos resultados do referendo “sobre uma questão que é aos islandeses que cabe pronunciarem-se”. Perderam a voz grossa! Mesmo a questão da adesão da Islândia à EU, que tinha sido pedida pelo anterior governo de direita, continua na mesa das negociações. Não se sabe é se a Islândia continua interessada.

Os analistas, essa raça infestante da inteligência, calculam que a recuperação económica da Islândia vá ser mais complicada e que patati, patata, isto quando até o FMI parece rendido às evidências. A Islândia, depois de estar á beira da bancarrota, tem boas perspectivas de crescimento, dizem os institutos ocidentais.

Por cá como, citando Karl Marx, “o cretinismo burguês está em toda a sua beatitude” e está omnipresente na comunicação social, não se aprende, nem se sabe aprender nada com o que está a acontecer na Islândia.

O FEEF/FMI é a Nossa de Fátima dos pastorinhos acantonados nos partidos que são os garantes dos burocratas de Bruxelas, a quem a Sra. Merkel puxa as orelhas,  e das sumidades tecnocráticas fechadas nos seus gabinetes onde correm como baratas tontas e batem nos vidros como moscas atarantadas enquanto a realidade está lá fora, sempre em movimento.

Com gente desta pode-se mudar de governação, nunca se mudará de política.

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One thought on “NÃO! A Islândia não cede!

  1. Carlos Alberto SantosPinho diz:

    Era bom que quem vota em Portugal tivesse a clarividência dos islandeses. Tudo estaria muito diferente. Mas não tem. Assim, vamo-nos regozijando com a coragem dos outros.

    Gostar

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