Geral

Imperialismo Verde

Gostaríamos de retomar um comentário publicado por Juttta Difurth no diário alemão Die Tageszeitung, sob o título “Imperialistische Interessen“.

A referida autora criticou veementemente a petição apresentada por Daniel Cohn-Bendit, presidente dos Verdes no Parlamento Europeu, para que seja estabelecida uma zona de exclusão aérea na Líbia.

Alguns estarão recordados deste atrevido revoltado que, enquanto jovem estudante, afrontou, em Maio de 1968, um polícia de Paris, fazendo-lhe uma careta provocadora. Pois bem, este senhor, que não produziu rigorosamente mais nada com um mínimo sentido revolucionário ou, tão somente, com um cunho progressista, veio, agora, defender uma cruzada contra a Líbia e contra o ditador Kadhafi.

Porque será que este fulano, que não disse nada contra o regime kadafhiano durante  largas décadas, está, agora, tão preocupado?

De facto,  Conh-Bendit nunca protestou contra as cumplicidades da União Europeia e dos EUA para com o regime líbio, designadamente aquando das trocas de favores deste com Berlusconiu, Josef Fischer e Sócrates, entre muitos outros.Assim como nunca levantou a voz contra as ditaduras existentes no norte de África e no médio-oriente desde há décadas, que gozam do beneplácito dado pelo Grande Ocidente Capitalista.

Veja-se a situação do movimento de resistência saharaui, representado pela Frente Folisario, que abandonou a luta armada em 1991 porque a ONU lhes prometeu um referendo com vista à independência.

Estive presente no sul da Argélia, em meados da década de 90, e tive a oportunidade de constatar a degradante situação daquele povo de refugiados perante a ditadura de uma monarquia de frouxos e corruptos.

Este brilhante agitador alemão, que também não teve qualquer dúvida de que o Iraque possuía  “armas de destruição maciça“, estimulando assim a invasão norte-americana e que, aliás, gritou bem alto, há alguns anos atrás, o seu desejo de que a Europa deveria empreender uma guerra contra a Juguslávia porque, argumentava, os “muçulmanos bósnios fazem parte da cultura europeia e são gente do nosso sangue“, nada diz, porém, sobre as movimentações militares da Arábia Saudita nos países vizinhos para, como bom capataz dos americanos, lhes cuidar do quintal. Não vão surgir ervas daninhas no deserto!

Que o Kadafhi não será boa rez política, disso não haverá grandes dúvidas, mesmo atendendo às particularidades sociais e culturais que estão subjacentes à sua matriz berbere.

Mas, a melhor forma de defender o povo líbio, e os seus vizinhos, passa por levantar as nossas vozes contra a hipótese de que o imperialismo lá ponha a pata, propriamente dita.

Mesmo que seja uma pata verde.

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