Geral

Livros e Leituras

O homem não tem poder sobre nada
enquanto tem medo da morte
quem não tem medo da morte possui tudo


Tolstói, Guerra e Paz

 


Há cem anos morreu Tolstói. Deixou uma obra imensa em que se encontram romances, Guerra e Paz, com quase duas mil páginas e seiscentas personagens, e pequenas narrativas como A Morte de Ivan Ilitch. A intensidade dramática, a contenção narrativa, a acutilância na anatomia psicológica dos personagens, fazem de toda a obra literária de Tolstói um paradigma. Nenhum outro escritor colhe o consenso do universo literário que, unanimemente, o considera o maior dos escritores.
Ler, reler Tolstói é sempre extraordinário. Mesmo já conhecendo o que se vai ler, é sempre impressionante assistir aos longos dias inúteis do sofrimento físico brutal de Ivan Ilitch, só superado pela dor moral. “Apreciar a vida? Mas como, se estes dias já não têm as mesmas cores, o mesmo sabor, pois o fim é conhecido? Afinal o que se fez, o que se deixa? Muito pouco! Pouquíssimo!!” Ou saber que Anna Karenina, descobrindo que o que mais ama em Vronsky é a própria paixão, se vai suicidar proclamando vingança “ ali, ali mesmo no meio, ele será punido e eu ficarei livre de todos e de mim mesma” e tornar a ler isso com a emoção de uma primeira leitura. Ou continuar a ficar suspenso no delírio do marido quando descobre o romance entre a mulher e o violinista com quem toca A Sonata de Kreutzer de Beethoven, e a música se transforma numa fúria imensa que acaba num crime de sangue. Ou ler Guerra e Paz para descobrir a insignificância de Napoleão ou do czar Alexandre I, na épica história da invasão da Rússia, personagens menores dos acontecimentos históricos descritos com um realismo insuperável “os que se chamam grandes homens são etiquetas que dão o seu nome aos acontecimentos históricos e, assim como as etiquetas, não têm relação com esses acontecimentos”.
Poderá parecer um exagero, mas não ter lido Tolstói é lacuna grave no conhecimento da literatura.

Lev Tolstói
• GUERRA e PAZ, editorial Presença, tradução Nina Guerra/Filipe Guerra
4 volumes ( vol I-400 páginas/vol II – 436 páginas/vol III-452
páginas/ vol IV-416 páginas)
• ANNA KARENINA, Relógio d’Água editores, tradução de António Pescada, 832 páginas
• A SONATA de KREUTZER, BI- Livro de Bolso, tradução de Nina Guerra/Filipe Guerra, 120 páginas
• A MORTE de IVAN ILICHT, Leya-Dom Quixote, tradução de António Pescada, 110 páginas

 

( publicado em Leituras, Guia de Eventos de Setúbal / Janeiro 2011)

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