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Educação, Demagogia e a Cartilha Neo-Liberal

Na ordem do dia, continua a questão dos subsídios aos colégios privados. É evidente que o subsídio estatal só se justifica quando, a rede de escolas do ensino público não cobre as necessidades de uma região. Para colmatar essa deficiência o estado deverá utilizar recursos disponíveis até a resolver. Aquilo a que se assiste ultrapassa claramente essa fronteira. A trave mestra, nem sempre visível, da mentira dessa batalha é o direito dos pais seleccionarem a escola, pública ou privada, para os filhos. Claro que a escolha penderá sempre para uma escola privada, atendendo á mentalidade dominante diligentemente condicionada. Os rankings não enganam, têm é um nariz maior que o do Pinóquio.

Nessa linha de pensamento primeiro está a exigência dos subsídios às escolas privadas, mesmo que não cumpram o papel de suprir a ausência de escola pública, e em segundo lugar o célebre cheque-escola que permitiria às famílias a liberdade de escolha.

Curiosamente os que exigem que o Estado subsidie a escola privada são os mesmos que estão contra qualquer tipo de intervenção ou ajudas do Estado. Os que bramam contra o despesismo do Estado e as empresas públicas deficitárias. Os que defendem a concorrência sem constrangimentos em todos os sectores de actividade, tenha ou não tenha objectivos sociais, culturais ou outros. Por aqueles que pregam o menos estado, condicionados por um pensamento economicista com ante-olhos e míope.

No ensino a demagogia ainda é mais chocante. As escolas privadas podem aplicar os critérios de selecção que muito bem entenderem, seja por exame prévio académico, por opção pedagógica, a começar pela limitação do número de alunos por aula, ou mesmo por decisão religiosa. Anulam tudo ou quase tudo que pode tornar o trabalho do professor mais improdutivo. Claro que isso se vai reflectir nos rankings, uma vigarice pedagógica, e a miragem do cheque-escola, faz o maravilhoso passe de mágica de convencer os pais que seria possível a liberdade de escolher a melhor escola para os seus filhos.

Ao Estado ficaria reservado o papel de premiar o falso mérito das escolas privadas subsidiando-as e de manter as escolas públicas para serem os armazéns do refugo.

É essa é uma das muitas faces da democracia tal como é entendida por uma direita hipócrita que olha para o Estado como o veículo de transferência de tudo, do conhecimento e cultura aos bens de investimento e áreas de negócio, para os privados se banquetearem e exibirem as suas virtudes. Em resumo, usar o dinheiro dos contribuintes e os bens públicos para conforto dos privados.

Sobrevoando a batalha dos subsídios à escola privada, sem cuidar dos casos reais em que isso se justifica, os arautos do fim dos subsídios embrulham-se numa demagogia sem fronteiras nem segredos apoiados por uma comunicação social de escribas e opinantes estipendiados para transformar as vulgatas neo-liberais na cartilha do próximo futuro. Os passos seguintes seriam apoderar-se do Estado para o desmantelar em benefício das classes dominantes.

É essa a liberdade que nos vendem diariamente, procurando embotar a capacidade crítica,  guilhotinar à nascença a possibilidade de sequer pensar que é possível pensar numa sociedade outra, em que a humanidade se liberte das grilhetas mentais e económicas que hoje, com as mais variadas formas e feitios lhes são impostas.

Explorar o legítimo interesse no futuro dos filhos é o passo mais óbvio e simples de uma manipulação rasca para a seguir se abrir caminho à mais desenfreada exploração.

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One thought on “Educação, Demagogia e a Cartilha Neo-Liberal

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