Política

Com as mãos nos nossos bolsos

Aos milhares de milhões que o Estado (nós os contribuintes, excluindo os que andam a receber dividendos antecipadamente para não serem tributados) já enterrou no BPN, vão-se agora somar mais 500 milhões de euros, o que representa 0,3% do PIB. A aventura do BPN rondará os 8 mil milhões de euros. Os aventureiros do BPN, uns vão começar a ser julgados agora, outros ainda continuam a foliar uma rica vida, caso de Dias Loureiro Conselheiro de  Estado que Cavaco Silva, presidente que o escolheu pessoalmente, anda a bronzear-se num resort de luxo, em Cabo Verde, de que é proprietário. Compreende-se o “nosso” presidente ainda ganhou algum, cerca de centena e meia de milhar de euros, com o BPN e satélites.

Nós é que não ganhamos nada e continuamos a pagar por tudo. Pela administração danosa, comandada com vários sócios, pelo indefectível cavaquista Oliveira e Costa, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do 1º governo de Cavaco. O Banco de Portugal governado por Vítor Constâncio, um dos mais bem pagos entre os seus pares em todo o mundo, nunca detectou anomalias graves nas contas e na actividade do BPN. O governador ainda por cima afirmou que isso era possível e até normal, um aval à sua inutilidade que não o cocegou. Também a ganhar daquela maneira o dinheiro que gastava em unguentos eram desprezíveis.
Essa história, e outras que correm mundo, são a demonstração mais transparente, mais clara de como o capital financeiro e os seus lacaios que ocupam cargos de governação, nos chupa até ao tutano.

Para salvar da falência os bancos, os Estados metem mãos à obra para os salvar. Com essa manobra aumentam a dívida pública. O capital financeiro ganha a dois carrinhos. Por um lado foram injectados pelos Estados triliões de euros, dólares, yens, que tapam os prejuízos dos bancos. Pelo outro lado os Estados, que se endividaram ainda mais nessa operação de salvamento, vão recorrer aos mercados financeiros, onde esses bancos continuam a operar, para se financiarem a juros altíssimos. Quem paga? Nós, com o dinheiro que nos vão sacar aos bolsos quase vazios.
Entretanto, enquanto o Estado português se prepara para enterrar mais 500 milhões de euros no BPN (repita-se e sublinhe-se 0,3% do PIB), a PT vai distribuir 1000 milhões de euros de dividendos extraordinários antes do fim do ano para que os seus accionistas de referência, BES, Ongoing, Visabeira, etc., se safem de pagar impostos!

A crise não é igual para todos! Tem a marca indelével de classe e dos serventuários da classe dominante.
Não por acaso o multimilionário americano Warren Buffett, helás, accionista de referência de duas maiores agências de notação financeira (os patrões são obviamente principal padrão técnico-científico dessas notabilíssimas instituições independentes! Eh! Eh! Eh!) disse numa entrevista ao New York Times em 2006: “Existe uma guerra de classes, é verdade, mas é a minha classe, a classe dos ricos, que está a fazer a guerra, e nós estamos a ganhá-la.”

Não os deixaremos passar

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