Setúbal

Uma Casa da Cultura para Setúbal

A Casa da Cultura de Setúbal foi hoje formalmente apresentada ao público e à imprensa. É um dos vários equipamentos com valência cultural que estão previstos instalar na cidade nos próximos anos, que irão aumentar e diversificar a oferta cultural sadina.

É um novo equipamento mas não é mais um equipamento. A Casa da Cultura foi pensada para servir de suporte a algumas das associações culturais mais representativas e que, por não terem instalações próprias, viam as suas actividades de algum modo limitadas. Muito dos apoios que a autarquia muito justamente lhes concedia, eram maioritariamente canalizados para pagar despesas correntes, nomeadamente os arrendamentos dos espaços que utilizavam. Se essa era uma forte constrição, outra era o estarem instalados em espaços que não tinham condições para realizar muitas das suas iniciativas, sendo obrigados a recorrer a lugares geograficamente dispersos e, muitas vezes, com outras vocações, com os inconvenientes logísticos daí decorrentes.

A Câmara Municipal, conhecedora dessas situações, decidiu dar um passo importante na sua alteração pondo em prática uma filosofia inovadora, e paralelamente intervir no centro histórico, recuperando o edifício emblemático onde funcionou o Circulo Cultural de Setúbal. O projecto, um bom projecto que mantém a estrutura essencial do traçado original com uma releitura moderna, é do atelier Gonçalo Silva Arquitectos Associados que ganhou o concurso aberto pela Câmara.

Dadas as características morfológicas do edifício procurou criar condições para que se auto-sustentasse financeiramente. A ideia é a de instalar um café-concerto, a aproveitar um amplo pátio interior, cuja concessão será condicionada à integração nesse espaço de actividades culturais da Casa da Cultura. É uma expectativa credível. Em simultâneo convidou associações culturais que, com as suas iniciativas autónomas e iniciativas conjuntas de geometrias variáveis, tivessem energia e capacidade para manter uma actividade cultural multiforme e continuada. Foram convidadas e aceitaram integrar-se na Casa da Cultura, a AJA, Associação José Afonso, a Artiset, Associação dos Artistas Plásticos de Setúbal e o CEB, Centro de Estudos Bocageanos que com o Gabinete da Juventude da CMS, ocupam espaços com áreas equivalentes. Ficam também instaladas salas de ensino de música com gestão da Capricho Setubalense, porque com a procura que existia para as suas aulas de música tinha essa actividade limitada nas suas instalações actuais. Não era uma questão fundamental como no caso das outras associações mas era atendível. Todas essas entidades, além dos seus espaços autónomos e independentes, ficam a dispor de espaços de uso colectivo, uma sala de exposições para os associados da Artiset mas também para outros artistas locais, um auditório para actividades multidisciplinares, uma loja para comercialização dos seus objectos, uma sala de ensaios para grupos musicais, um estúdio de gravação musical e um espaço comum de secretariado.

Pode-se e deve-se perguntar e a Câmara? Qual o papel da autarquia na Casa da Cultura? A Câmara decidiu fazer esse avultado investimento com a convicção que os seus parceiros iniciais na Casa Cultura desenvolvam actividades culturais que honrem os pergaminhos do extinto Circulo Cultural de Setúbal, contribuindo fortemente para a animação do centro histórico da cidade. A Câmara será catalisador e argamassa das iniciativas autónomas e cruzadas entre esses parceiros, com quem vai estabelecer protocolos de utilização dos espaços com um contrato -programa equivalente ao do direito de superfície e, evidentemente, terá um lugar de relevo na gestão desse seu espaço cultural.

Recorrendo a uma imagem célebre, a Câmara dá canas de pesca melhores e mais sofisticadas para quem já sabe pescar e anda a pescar com canas de sofrível qualidade, para que pesquem melhor. Os grandes beneficiados serão todos os setubalenses.

VIDEO AQUI (para utentes do FB)

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3 thoughts on “Uma Casa da Cultura para Setúbal

  1. Luísa diz:

    Eu acho curioso que quem não é de Setúbal nunca saberá onde fica este espaço, porque a única referência geográfica do local é «recuperando o edifício emblemático onde funcionou o Circulo Cultural de Setúbal». Infelizmente contece mesmo no site da câmara municipal de setubal

    Gostar

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