Política

À altura das responsabilidades?

Em plena tempestade política e financeira, todos tornaram já claras as suas posições sobre o que está em jogo. Todos? Não, a menos que se considerem claras as reacções do PSD às medidas anunciadas por Teixeira dos Santos e seu aprendiz Sócrates.

Leio nos jornais as declarações de Pedro Passos Coelho e tento descortinar qual é o pensamento do líder do PSD sobre a matéria, tento saber se está preocupado com o que vai acontecer a 450 mil funcionários públicos que vão sofrer reduções salariais de cinco por cento em média e a verdade é que não consigo ver luz nenhuma.

Passos Coelho apoia ou não estas medidas? Aprova ou chumba o OE 2011? Quer Governo de transição ou não? Apoia a greve geral ou a política dele é o trabalho? Afinal, o que quer o líder do PSD?

O líder do PSD só está preocupado com os números… Disse PPC, citado pela Lusa, que, “se os números que foram quarta feira apresentados pelo Governo são corretos relativamente àquilo que é necessário cortar no défice, quer este ano, quer em 2011, então todos os números que apresentou até esta data não estão certos. Isso significa que andámos demasiado tempo a enganar o país e a ocultar a verdadeira dimensão do problema financeiro que tínhamos“. Pois, está bem… Mas, e que consequências considera o PSD que esse inaceitável engano deve ter?

O líder do PSD, ainda de acordo com a notícia da Lusa, sublinhou que “não é possível encontrar uma resposta para futuro“, seja em medidas adicionais para este ano, seja em 2011, “sem que o Governo esclareça exatamente o que é que se passou com o PEC, com o PEC II e qual foi a razão por que o país quarta feira percebeu que tinha um grave problema que todo o Governo andou demasiado tempo a dizer que não existia“. Pronto, já percebemos que fomos enganados. E o que quer o PSD fazer agora? Vota contra o OE? Vem para a rua protestar com os trabalhadores no dia da greve geral? Ou está só a ganhar tempo?

PPC, que deve ter feito com algum futebolista um curso acelerado de produzir frases recheadas se sonoridade, mas desprovidas de qualquer significado, garante que o PSD estará “à altura das suas responsabilidades” para “encontrar uma maneira de tirar o país da situação em que ele se encontra“. E que altura é esta? Meio metro?

No fim da notícia da Lusa lá vem alguma luz sobre a razão de tanta vacuidade e precaução. Afinal PPC diz que ainda não percebeu o que vai acontecer a 450 mil funcionários públicos e a milhões de portugueses que, no dia 1 de Janeiro de 2011, vão acordar com o papo seco mais caro: “A proposta que o governo apresentou e que precisa de ser explicada e detalhada será apresentada com a proposta de Orçamento no Parlamento e marcará não o fim, mas o início da conversa e do caminho que haveremos de encontrar para sairmos da grave situação em que estamos“. O Pedro ainda quer mais detalhes e explicações. Ou já as tem todas e até já combinou como é que a coisa vai ser feita?

Quando a dúvida sobre o que o PSD pretende fazer já está instalada, PPC enterra-se ainda mais e repete que o o seu partido “estará com certeza à altura das suas responsabilidades para, no Parlamento, encontrar uma maneira de tirar o país da situação em que ele se encontra”. Quem é que ele quer enganar?

A ausência de uma posição clara do PSD sobre as medidas anunciadas pelo Governo é a melhor evidência de que já foi tudo combinado por baixo da mesa e que agora apenas restam os jogos florais do parlamento, com alguns arremedos de insulto pelo meio e inimputabilidades várias lançadas para o combate verbal.

Resta-me apenas uma dúvida: estará mesmo o PSD à altura das responsabilidades?

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2 thoughts on “À altura das responsabilidades?

  1. Pingback: Eu já sabia… « Praça do Bocage

  2. Luís Almeida diz:

    Há 34 anos e tal ( 36 menos o período do PREC ) que aquilo a que eu chamo “as conquistas de Abril” têm sido destruídas sempre pelos mesmos. Até já se diz, por ironia ” o PS com ou sem D”. Um saudoso camarada meu ( Gus Hall, Presidente do PC dos EUA ) dizia, noutro contexto: “two birds of the same feather” ( dois pássaros da mesma plumagem ). Eu vejo a coisa assim (chamem-lhe perspectiva de classe…): para o capital tanto lhe faz quem tenha a maioria parlamentar e esteja no governo. Desde que sirva os seus interesses. Se tiver a ( para o povo muito prestigiada ) palavra “socialista” no nome, tanto melhor ( porque melhor engana ), mas se não, paciência, avança o outro serventuário de serviço…
    O resto são tricas de comadres e pseudo-efemérides!

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